Ação da B3 pode disparar 33% em 12 meses, mesmo se o Ibovespa cair. Entenda

Apesar de parecer contraditório, o movimento pode ser explicado pelos bons números da bolsa e pelo interesse em investimentos em renda variável

Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo
21 de setembro de 2020 às 16:14 | Atualizado 21 de setembro de 2020 às 18:33
B3: para o Bradesco, o preço justo é de R$ 76, enquanto para o Safra é de R$ 69
Foto: Reuters/Leonardo Benassatto

Os mercados de capitais e financeiro brasileiros passaram por um segundo semestre (no mínimo) movimentado. Foi um momento de alta volatilidade gerada por incertezas que acompanham a crise atual, combinada a taxas de juros em patamares historicamente baixos, o que levou muitos investidores a investir na renda variável. 

Diante de tudo isso, a B3 (B3SA3) teve um segundo trimestre fora da curva, com lucro líquido de R$ 891,8 milhões – aumento de 36,2% na comparação com o mesmo período no ano passado. 

No ano, as ações da B3 disparam 34%. Enquanto isso, o Ibovespa, índice acionário que mede o desempenho de empresas listadas na B3, despenca 15%.

Apesar de parecer contraditório, o movimento pode ser explicado pelos bons números da B3 e pelo alto interesse no investimento em renda variável e procura das empresas por abertura de capital. 

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Segundo especialistas que acompanham a empresa, os investidores podem esperar um bom retorno se apostarem na B3. 

O Bradesco coloca R$ 76 como um preço justo para a ação em setembro do ano que vem. Se o papel chegar no preço alvo definido pelo banco, terá valorização de 33% em relação ao fechamento da última sexta-feira, quando valia R$ 56,13. 

Já o banco Safra prevê uma valorização de 23% para o papel. Um relatório da empresa mostrou que o preço-alvo para a ação da B3 em setembro de 2021 é de R$ 69.

Além do crescente interesse do investidor de varejo pela renda variável – o número de CPFs na bolsa chegou a 2,9 milhões, alta de 4,7% em relação a julho –, o Banco Safra destaca o patamar baixo da taxa de juros e a onda de IPOs. 

Hoje, mais de 40 empresas esperam aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para realizar a abertura de capital. “Como único players nesse segmento no Brasil, a B3 vem capturando todo esse fluxo, de novos investidores, empresas abrindo capital e, consequentemente, maior volume de transações”, diz documento do Safra. 

Considerando todo esse cenário, o banco aumentou sua estimativa para volume financeiro diário em 2020 de R$ 28 bilhões para R$ 29 bilhões, apostando numa recuperação de valor de mercado dos ativos listados.

A previsão para o desempenho nesse indicador também foi revista para 2021 e passou de R$ 27 bilhões para R$ 32 bilhões movimentados diariamente. 

Outra estimativa importante também foi revista: a previsão para receita líquida em 2020 aumentou 8,8%, para R$ 7,7 bilhões, o que significaria um aumento de 31,4% na comparação com a receita líquida da B3 em 2019. Para 2021, o Safra aumentou em 11,6% sua estimativa de receita, prevendo ganhos de R$ 8,1 bilhões. 

Para ficar de olho 

Nem tudo são flores no futuro da B3. É importante ficar de olho na resolução 461 da CVM, que trata da infraestrutura e autorregulação do mercado. Isso porque o ministério da Economia sugeriu à autarquia a internalização de ordens. 

Na prática, a equipe econômica quer permitir que duas pessoas que possuem contas numa mesma corretora possam negociar os papéis entre si, sem precisar passar pela bolsa. Isso diminuiria as receitas da B3, já que hoje ela cobra pela intermediação das ordens. 

“Nós vemos essa possibilidade de mudança como um fator de risco para a B3. Se a CVM adotar essa recomendação, isso pode estimular a competição entre a B3 e corretoras e mudar a dinâmica do mercado”, diz o relatório do Banco Safra. 

Para a empresa, permitir que transações sejam feitas sem intermediação da bolsa pode fazer com que a B3 perca 5% de suas receitas. 

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