Após decisão do TST, federação decide por volta ao trabalho nos Correios

Fentect também irá orientar a realização de assembleias para retomada das atividades a partir das 22h desta terça

Gabrielle Varela e Rudá Moreira, da CNN, em Brasília
22 de setembro de 2020 às 17:01
Agência dos Correios
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil (12.mar.2018)

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) resolveu, na tarde desta terça-feira (22), orientar os sindicatos filiados a retornarem ao trabalho. A Fentect também irá orientar a realização de assembleias para retomada das atividades a partir das 22h desta terça. 

A decisão foi tomada em uma reunião da diretoria da Fentect para avaliar a decisão do Tribunal Superior do Trabalho pelo fim da greve dos trabalhadores dos Correios. A Corte definiu, por cinco votos a dois, que os trabalhadores devem retornar ao trabalho a partir desta terça-feira (22) e que haverá desconto da metade do salário, com metade de compensação. 

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Em nota, a Fentect afirma que "acredita que a greve foi vitoriosa no sentido da construção da unidade da classe trabalhadora". "Esse movimento, que aconteceu nesses últimos 35 dias, mostrou toda a força na organização dos trabalhadores e resistência aos ataques sistemáticos, tanto por parte do governo federal, quanto do judiciário", continua a nota. 

"Na avaliação da Federação, esse resultado não contempla a categoria e causará um empobrecimento dos trabalhadores frente as perdas salariais que essas cláusulas usurpadas representam na folha de pagamento e em benefícios que garantem a dignidade do ecetistas e suas famílias. No entanto, sabemos que muitas lutas virão pela frente como a batalha contra a privatização dos Correios, que já está na ordem do dia."


O TST aprovou um reajuste de 2,6% nos salários dos trabalhadores dos Correios e determinou o fim da greve da categoria. O Tribunal reconheceu que “não houve abusividade da greve” por parte dos trabalhadores, que começou no dia 17 de agosto. A relatora votou pela não abusividade da greve e foi seguida pelos ministros Maurício Godinho Delgado, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, Aloysio Silva Corrêa da Veiga e Emmanoel Pereira. Já o ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho votou pela abusividade da greve e foi seguido pela ministra Dora Maria da Costa. A ministra Maria Cristina Peduzzi, presidente do Tribunal, não estava presente em razão do diagnóstico de coronavírus. Já o ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos se declarou impedido.