Tesla corta custos de baterias para carros elétricos e promete revolução

Segundo Musk, a Tesla precisa de cerca de um ano para adaptar suas fábricas para produzir a superbateria, que ainda está em fase de testes

Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
22 de setembro de 2020 às 19:09 | Atualizado 23 de setembro de 2020 às 10:22

Depois de passar meses alimentando as expectativas dos investidores sobre o “Dia da Bateria" na Tesla, Elon Musk finalmente anunciou mudanças importantes na produção das baterias dentro da empresa. 

O CEO da Tesla disse que a empresa vai cortar em 56% os custos de produção das baterias para os veículos elétricos que produz. Além disso, elas terão carregamentos mais rápidos e maior capacidade de armazenamento de energia. 

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Segundo Musk, a Tesla precisa de cerca de um ano para adaptar suas fábricas para produzir a superbateria, que ainda está em fase de testes.

No evento, a empresa afirma que a nova bateria é capaz de armazenar cinco vezes mais energia, dando aos carros alcance 16% maior e seis vezes mais potência.

Em 2019 as baterias da Tesla custavam US$ 156 por quilowatt-hora (kWh), de acordo com a Cairn Energy Research Advisors, o que colocaria o custo de uma bateria de 90 kWh em cerca de US$ 14 mil.

Com o custo do quilowatt-hora em cerca de R$ 75, a fabricante consegue economizar mais de R$ 2 mil por veículo produzido. 

As novas baterias não precisarão passar pelo processo de secagem, o que é um passo enorme para a redução de custos e aumento da capacidade de produção. 

As novas peças vão precisar de mais lítio para funcionar, por isso, a Tesla vai começar a minerar a matéria-prima em Nevada, nos Estados Unidos. A promessa é de impacto mínimo ao meio ambiente.

Busca pela eficiência

Musk, que frequentemente lança novos produtos em anúncios parecidos com um show, alimentou as expectativas para o "Dia da Bateria" nos últimos meses, chamando em abril o evento de "um dos dias mais emocionantes da história da Tesla".

Qualquer mudança na eficiência das baterias e custo de produção é tema importante dentro da empresa, já que as baterias são parte essencial na produção dos veículos elétricos e performance dos carros. 

O Dia da Bateria foi um pouco diferente dos eventos tradicionais. Os auditórios deram lugar a um estacionamento e os investidores acompanharam de seus carros a fala de Elon Musk. 

Musk reclamou no passado que os veículos da Tesla não eram acessíveis o suficiente e reafirmou isto no evento de hoje. O Model 3, veículo de menor alcance da Tesla, com autonomia de 400 quilômetros, custa atualmente US$ 37.990 nos Estados Unidos. Musk disse em julho que aumentar a produção de células de bateria a um preço acessível era a maior limitação ao crescimento da Tesla.

Impacto nas ações

A reação ao anúncio de hoje será um bom termômetro para medir a saúde da relação da empresa de tecnologia com os investidores. 

Setembro não tem sido um mês fácil para as ações da Tesla, que caem 10,7% desde o primeiro dia do mês. No pregão desta terça-feira, as ações da Tesla caíram 5,6%, no caminho inverso do índice Nasdaq, que subiu 1,75%.

A Tesla tenta remar contra uma maré de investidores se desfazendo de ações de tecnologia em um movimento visto como uma correção nos preços dos papéis do setor. 

Durante o evento, no aftermarket, a ação da Tesla tinha desvalorização de 2,2%, revertendo uma alta que chegou a quase 5%. Parece que, por enquanto, as expectativas não foram superadas. 

*Com Reuters

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