Ação da Oi virou uma oportunidade de investimento? O BTG enxerga alta de 63%

De acordo com o relatório assinado pelos analistas Carlos Sequeira e Osni Carf, a operadora tem, agora, uma melhor visibilidade de como as dívidas serão pagas

André Jankavski, do CNN Brasil Business, em São Paulo
23 de setembro de 2020 às 17:30
Orelhão da Oi: empresa começa a ser vista como atraente para bancos de investimento
Foto: Reprodução

As movimentações recentes da Oi (OIBR3), que revisou o seu plano de recuperação judicial, está mudando o humor dos analistas. Se antes o papel da empresa era visto como muito arriscado e era cobiçado somente por especuladores, agora até os bancos de investimento estão se rendendo. 

Depois do Bradesco (BBDC3), é a vez do BTG Pactual (BPAC3) enxergar espaço para uma alta de 63% nos papéis da companhia – o preço alvo, agora, é de R$ 2,80. De acordo com o relatório assinado pelos analistas Carlos Sequeira e Osni Carf, a operadora tem, agora, uma melhor visibilidade de como as suas dívidas serão pagas.

“A consequência imediata da aprovação do plano da Oi é que tornou o investimento na ação menos arriscado, assim como está autorizada a vender ativos que podem trazer R$ 24 bilhões para o caixa da empresa”, diz o relatório.

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Não por acaso, a empresa mudou a recomendação para compra. Entre os fatores que ajudaram a melhorar as previsões para a Oi, estão a atualização odo valor para a venda da unidade móvel (de R$ 15 bilhões foi para R$ 16,5 bilhões), assim como a expectativa de um valor também mais alto para a área de infraestrutura (de R$ 20 bilhões para R$ 24 bilhões).

Além disso, a redução de 55% no total da dívida bruta com os bancos também ajuda o BTG a enxergar um futuro mais promissor para a Oi.

Para completar, a decisão da Oi de focar na fibra ótica é vista como acertada e o BTG já vê em processo de aceleração. A expectativa do banco é que a Oi tenha 2 milhões de clientes conectados em 2020 e, no fim do ano que vem, quase dobre de tamanho: 3,5 milhões após os 12 meses.

“A Oi está rapidamente se transformando em um fornecedor nacional de soluções baseadas em fibra”, afirma o relatório.

Rede móvel quase vendida?

Para completar, a companhia aceitou a proposta de compra de ativos móveis feita pelas operadoras Vivo, Tim e Claro por R$ 16,5 bilhões. O processo de venda, no entanto, precisa passar por um leilão de ativos. 

Porém, com essa proposta, o consórcio se colocou como "stalking horse", o que dá direito do grupo de companhias cobrir uma eventual oferta maior por outra concorrente. Porém, é necessário que a nova oferta seja no mínimo 1% superior ao montante equivalente à soma do valor proposto a ser pago em dinheiro.

O maior risco, segundo os analistas, é de que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica barre a negociação. 

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