Falconi quer ir além de Lemann e Abilio: os alvos agora são as médias empresas

Consultoria que ajudou no crescimento de empresas como Ambev, Pão de Açúcar e Itaú quer abocanhar uma fatia do mercado das médias empresas e até de coachs

André Jankavski, do CNN Brasil Business, em São Paulo
24 de setembro de 2020 às 07:00
Viviane Martins CEO Falconi
Viviane Martins, presidente do Falconi: digitalização, inovação, entrada nas médias empresas e até no desenvolvimento pessoal
Foto: Divulgação/Falcone

Durante muitos anos, e até hoje, a consultoria Falconi foi vista como o lugar em que as empresas em dificuldades encontrariam saídas para as suas crises. A fama não foi conseguida ao acaso.

O fundador Vicente Falconi é um dos maiores especialistas da área e ainda teve a sua imagem catapultada pelos anos de parceria com nomes como os bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, os homens por trás do 3G Capital, e também por ajudar Abilio Diniz em diversos momentos de sua gestão a frente do Pão de Açúcar (PCAR3).

Porém, o tempo chega para todas as empresas – assim, como a necessidade de se reinventar. E a pandemia do novo coronavírus trouxe ainda mais peso para essas transformações. Hoje, a Falconi é comandada por uma mulher. Desde 2018, Viviane Martins ocupa o cargo de CEO. E está nas mãos dela a criação de uma nova Falconi.

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Algumas mudanças já são visíveis. Antes totalmente concentrada em empresas de grande porte, como Ambev (ABEV3) e Pão de Açúcar, a Falconi também decidiu ajudar na gestão das médias empresas brasileiras. A decisão não é à toa: as médias empresas do Brasil representam cerca de 25% do PIB. 

Com uma incubação de quase um ano, a área batizada de Mid parte para esse mercado. É um negócio, segundo Martins, que já nasce escalável. O foco é nas empresas que têm um faturamento anual entre R$ 10 milhões e R$ 300 milhões. 

"Queremos levar para o cliente o que fazemos dentro de casa. Vendemos aos clientes a gestão inteligente dos gastos, ainda mais agora que tantos setores foram severamente afetados", diz ela.

A lição da Falconi dentro de casa na pandemia foi dura. A empresa precisou cortar na carne. No início do processo de quarentena, por exemplo, a empresa esperava uma queda de 25% no faturamento. A companhia precisou se mexer.

Entre as medidas mais pesadas, foram reduzidos 60% o total de dinheiro separado para investimentos. Os gastos tiverma reduções de 25%. Demissões foram realizadas e 7% de todos os funcionários foram demitidos. Atualmente, a Falconi conta com cerca de 600 consultores, de 14 nacionalidades diferentes, e atua em 40 países. Além do Brasil, há escritórios nos Estados Unidos e também no México.

Resultado: a queda nas receitas deve ser na ordem de 10%. 

Foco no resultado

Para conseguir atrair as médias empresas, a Falconi se concentra em mostrar os resultados. De acordo com um levantamento interno, 92% empresas que fazem consultoria com a Falconi atingem a meta – ou até mesmo superam. 

E a receita para conseguir isso em tempos tão instáveis estão em três grandes pilares: transformação digital, inovação e a eterna busca pela eficiência a qualquer custo. Foi dessa maneira que a antiga Brahma se tornou o portento AB Inbev (apesar de estar passando por uma série de transformações recentemente). 

A inovação, aliás, tem feito a Falconi entrar em mercados que jamais teria pensado anteriormente. Além do avanço nas médias empresas, a companhia decidiu partir para a educação corporativa. A FRST (sigla para Falconi Road of Skills and Talents) funciona como uma plataforma de educação corporativa, com treinamentos, seminários online e até treinamento um a um.

A primeira fase do projeto começa no B2B. Ou seja, as empresas contratam a Falconi para treinar os executivos para que estes se tornem melhores profissionais. Mas é possível abrir para o mercado como um todo – e brigar de frente com os coachs? "Acredito que no médio e no longo prazo o modelo B2B que continuará", diz ela. 

O mais interessante é que à frente dos dos projetos há mulheres. Flávia Maia é responsável pela área de médias empresas. Juliana Scarpa é a pessoa à frente da FRST.

Mulheres em cargos de liderança costumam trazer melhores resultados para as empresas, segundo a consultoria McKinsey. Na América Latina, as empresas têm 50% mais chance de aumentar a rentabilidade e 22% de crescer o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que é uma importante medida de geração de caixa para a companhia.

E é exatamente disso que a Falconi precisa. Os anos de 2015 e 2016 foram duros para a empresa. Os dois anos posteriores, por sua vez, registraram retomada do crescimento. Em 2019, contudo, houve um crescimento menor do que o esperado.

"Desde 2018, estamos apostando e investimento fortemente nas novas plataformas e essa própria transformação da Falconi ajuda os nossos clientes nas temáticas digitais e em seu desenvolvimento", diz Martins.

Quem sabe, a partir do ano que vem, as médias empresas e o foco em cada funcionário que quiser evoluir, a Falconi volte a ter anos mais animadores. 

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