Azul: o céu não está de brigadeiro para a companhia, diz Bradesco BBI


Natália Flach, do CNN Brasil Business, em São Paulo
29 de setembro de 2020 às 15:36
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Companhias aéreas sentem efeitos do coronavírus (11.jul.2018)

Foto: Leonardo Benassatto/Reuters

Por mais que a Azul (AZUL4) seja pilotada por uma equipe de extrema competência e tenha um excelente modelo de negócio, nas palavras da Bradesco BBI, a casa decidiu revisar para baixo a recomendação das ações da companhia para neutra. Isso significa que os investidores que detêm os papéis podem ficar com eles na carteira, enquanto os que não têm deveriam aguardar.

A mudança se deu porque o potencial de valorização para os papéis é de apenas 4% depois de um aumento de 66% desde março — no ano, os papéis caem 55% — e risco de baixa liquidez. Além disso, as ações já são negociadas em uma relação de 8,6 vezes o valor da empresa sobre a geração futura de caixa (Ebitda), uma alta de 23% de alta no múltiplo histórico.

"Agora, estamos esperando uma recuperação robusta na demanda", escreveram Victor Mizusaki e Gabriel Rezende, analistas da Bradesco BBI.

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Segundo os especialistas, a Azul tem a vantagem de ter frota flexível de aviões, o que permite um remanejamento mais fácil. A expectativa é que, em outubro, a companhia ocupe 55% da capacidade total de 2019 e 60% em dezembro. "Esperamos que a margem de 2019 seja retomada apenas entre 2022 e 2023. Não em 2021."

O gatilho para acelerar a recomendação de compra por parte da BBI é a descoberta da vacina contra a Covid-19, que permitiria uma retomada econômica mais rápida do que o esperado. Nesse cenário, o preço justo para a ação passa a ser de R$ 40 (alta de 54%) e um aumento de 16% e 18% do Ebitda em 2021 e 2022, respectivamente. 

Por outro lado, se houver uma segunda onda da doença no Brasil ou desvalorização cambial para R$ 6, o preço justo cai para R$ 15 (recuo de 42%). 

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