Revelo, Reprograma: empresas financiam formação em tech; veja como participar

Reprograma, Revelo Up e Paketá Academy estão entre as iniciativas do setor privado para preencher o déficit de mão de obra capacitada em tecnologia

Manuela Tecchio, do CNN Brasil Business, em São Paulo
29 de setembro de 2020 às 13:11 | Atualizado 30 de setembro de 2020 às 08:08
Programação
Funcionário de TI: empresas enfrentam falta de mão de obra capacitada em tecnologia no mercado
Foto: Arif Riyanto/Unsplash

Depois de quebrar os ossos do pé em cima de um palco, a atriz Flavia Dessoldi, de 29 anos, descobriu que sua carreira teria que mudar — e muito. Portadora de uma doença degenerativa que afetava seu principal instrumento de trabalho, o corpo, a artista precisou trocar o teatro por uma nova forma de se comunicar: a programação.

Foi através de um projeto que treina gratuitamente mulheres para trabalharem com tecnologia, o Reprograma, que ela conseguiu realizar essa transição de carreira, recuperar sua independência financeira e sair da casa dos pais. 

“Sempre atuei na área artística e, com a minha condição, precisava voltar a estudar. Mas não tinha grana para investir. Foi muito importante encontrar esse projeto”, conta.

Entre as marcas que patrocinam a iniciativa estão desde gigantes do setor, como a Microsoft, a fintechs brasileiras, como NuBank. O dinheiro injetado por companhias em projetos como esse vêm da necessidade de preencher um gap de profissionais qualificados para vagas de tecnologia. 

De acordo com um levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), o déficit de mão de obra capacitada no Brasil pode chegar a 24 mil funcionários por ano até 2024.

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Já na plataforma digital de recursos humanos Revelo, que conta com mais de 1,5 milhão de candidatos, a procura por funcionários com “habilidades digitais” é 150% superior à oferta. Também por isso, a empresa lançou no mês passado um programa de aceleração de carreiras, o Revelo Up.

Por meio do financiamento da empresa, a enfermeira Nykolle Malone, de 27 anos, também conseguiu fazer uma transição e aliar os conhecimentos de saúde à tecnologia. Seu primeiro emprego como programadora foi num hospital e agora ela trabalha em uma healthtech. 

O ‘bootcamp’ escolhido por ela foi o multinacional Ironhack, considerado um dos melhores cursos intensivos de programação do mundo. O alto valor das mensalidades não poderia ser desembolsado enquanto Malone não tivesse um emprego fixo. 

O Revelo Up, ainda em fase de testes, permitiu que ela pagasse as parcelas somente quando estivesse no mercado de trabalho — e sem juros. “Eles me ajudaram muito, me deram esse empurrãozinho que faltava”, lembra.

Se você se identifica com a história dessas profissionais, a lista de programas abaixo pode te ajudar. O CNN Brasil Business elencou programas que financiam pessoas em transição de carreira, com foco em tecnologia.

Reprograma
Voltado exclusivamente às mulheres e ao mercado de tecnologia da informação, o projeto já formou mais de 300 programadoras em dez turmas sem cobrar nada das estudantes por isso — sim, os cursos são gratuitos! Atualmente, 82% das formadas pelo projeto estão trabalhando em suas áreas.

Financiado por gigantes como Microsoft, Mercado Livre, NuBank e IBM, o programa prioriza a formação de profissionais em transição de carreira. Para mais informações sobre inscrições e processo seletivo, acesse o site do projeto.

Revelo Up
Programa de aceleração de carreiras da plataforma digital de recursos humanos Revelo, a iniciativa foi possível graças a um aporte de US$ 16 milhões do IFC (braço do Banco Mundial), em dezembro do ano passado e busca preencher um gap de mão de obra capacitada.

Neste projeto, os aprovados só começam a pagar as mensalidades após a formatura ou, em alguns casos, a própria empresa que recrutar o estudante cobre as parcelas, como um benefício de contratação. Esse tipo de prática é comum em países como os Estados Unidos, como uma forma de atrair e reter talentos da área de tech.

Paketá Academy
Na tentativa de preencher seu quadro de funcionários e ainda contribuir para o mercado, a fintech de crédito vai não só oferecer um curso de programação — mais especificamente de desenvolvimento de aplicações— como vai remunerar os estudantes com uma bolsa de R$ 2.200. 

Durante a segunda edição do projeto, os candidatos precisam ter disponibilidade de 40 horas semanais. Ao final do curso, os formados serão contratados conforme a demanda da empresa — da  primeira turma foram absorvidos 3 funcionários e, desta vez, a companhia pretende efetivar 10 pessoas.

Provi
Entre os estudantes que solicitam finaciamento de cursos de tecnologia pela plataforma, a maioria tem entre 25 e 29 anos e ensino superior completo. Ou seja, são profissionais em transição de carreira.

De acordo com o site, uma prática comum das empresas têm sido realizar parcerias com escolas e instituições de ensino para formar os novos profissionais e preencher as próprias vagas ou mesmo reembolsar formandos. Para solicitar um financiamento, acesse a plataforma.

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