Perfeito, da Necton: Com dólar a R$ 6 e piora fiscal, Selic pode subir no 1º tri


Fernando Nakagawa
Por Fernando Nakagawa, CNN  
05 de outubro de 2020 às 06:00 | Atualizado 05 de outubro de 2020 às 09:38

O real carrega o título de moeda que, entre as principais do mundo, mais perdeu valor em 2020. Apesar dessa péssima evolução, o real poderá ficar ainda mais fraco nos próximos meses. O economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, elevou recentemente a previsão para o patamar da moeda e prevê que o patamar de R$ 6 por dólar chegará até o fim do ano. 

“É um evento multivetorial. São várias influências. Primeiro, a taxa de juro no Brasil de 2% parece não parece ser suficiente porque há situações que a taxa real está negativa. Depois, há riscos fiscais e políticos, além da perspectiva de crescimento no ano que vem que está totalmente incerta”, diz Perfeito, que participou da edição desta semana do Carteira Inteligente, o programa semanal da CNN sobre finanças e investimentos pessoais.

Todo esse cenário, diz o economista, está por trás de eventos como a saída maciça de investidores estrangeiros da bolsa brasileira.  

Diante desse cenário, fica ainda mais complicado programar as próximas férias ou o curso no exterior. Para quem tem a previsão de um gasto em moeda estrangeira como esses, Perfeito sugere que os dólares – euros ou qualquer outra moeda – devem ser comprados aos poucos, até o momento da viagem ou do pagamento.

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“Vá comprando aos poucos para você formar um preço médio porque se você deixar tudo para (comprar no) o último dia, a chance de você pegar uma cotação ruim é muito alta”.

As incertezas nas contas públicas e políticas que tendem a levar o dólar para a casa dos R$ 6 também deverão fazer com que o Banco Central reaja mais cedo do que muita gente espera. Para André Perfeito, é possível que a taxa Selic volte a subir antes do imaginado pela maioria do mercado financeiro – que trabalha com subida do juro no segundo semestre de 2021. 

O economista tem como cenário base a alta do juro no segundo trimestre de 2021, mas não descarta alta já no primeiro trimestre. “O conjunto das questões fiscais vai continuar. O auxílio emergencial terá de continuar e não vão conseguir cortar gastos. Pense, por exemplo, no número de pais que terão de colocar os filhos na escola pública no próximo ano”. 

A deterioração das contas públicas aumenta o risco para quem empresta dinheiro ao governo e, por isso, o mercado de juros futuros já embute esse risco com a alta do juro. Em operações com prazo perto de seis anos, por exemplo, as taxas futuras se aproximam de 8% ao ano – quatro vezes a taxa Selic de 2%.

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