Startup de comida saudável, Liv Up antecipa tendências e cresce 120% na pandemia


Manuela Tecchio, do CNN Brasil Business, em São Paulo
07 de outubro de 2020 às 12:15

Em meio a mudanças de hábito no consumo alimentar, aceleradas pela pandemia, a startup de comida saudável Liv Up deve mais do que dobrar de tamanho em 2020. A empresa, que já vinha com um ritmo sustentável de crescimento, viu seu faturamento acelerar ainda mais neste ano: de janeiro até setembro, a empresa registou uma alta de 120% em suas receitas. 

Sem revelar números consolidados, o CEO e fundador da Liv Up Victor Santos atribui o crescimento à capacidade da marca de antecipar tendências, como sustentabilidade, foco na saúde integral e desenvolvimento da experiência do cliente.

De acordo com um levantamento da consultoria WGSN, de Nova York, os consumidores devem, de fato, buscar “sistemas de alimentação que minimizem o desperdício” e priorizar produtos que respeitem as questões ambientais e climáticas na hora de escolher uma marca de alimentos ou bebidas pelos próximos anos. 

“Essa mudança de hábito não vem da pandemia de coronavírus, esse cenário apenas acelerou tendências que já estavam em curso. Para nós, comer de forma saudável não é fazer dieta maluca, mas sim buscar o que é natural”, diz o CEO em entrevista ao CNN Brasil Business.

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Com uma operação que iniciou com a venda online de comida congelada pré-pronta, a marca passou a vender também em seu site e pelo aplicativo uma cesta de orgânicos in natura para absorver o estoque retido dos pequenos produtores, que viram a demanda reduzir drasticamente durante a pandemia.

“Nosso projeto também envolve se preocupar com coisas que vão além do prato. É toda a relação que a gente tem com o alimento e com os fornecedores. E a agricultura familiar é um pilar muito importante do nosso negócio desde o começo.”

Atualmente, a Liv Up conta com 25 famílias produtoras como parceiras, que faturam, em média, R$ 10 mil com o plantio de frutas, verduras e legumes orgânicos. O apoio aos pequenos produtores vai desde o microcrédito para sementes e equipamentos até a absorção da produção final.

A ideia partiu de uma conversa entre Santos e seu sócio co-fundador Henrique Castellani, que vem de uma família de agrônomos e agricultores.

Investimento em ghost kitchents

Neste ano, a marca ainda instalou quatro ghost kitchens em São Paulo para trabalhar com delivery de refeições prontas para consumo. Durante os meses de isolamento, a Salad Stories, sub-marca da empresa especializada em delivery de saladas prontas, cresceu sozinha 25% ao mês. 

“Essa iniciativa já estava planejada desde o ano passado. A gente lançou em março e a demanda só cresce. Nossa ideia é estender para vários outros estados do Brasil no ano que vem”, disse o CEO.

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Outro aspecto apontado pelo estudo da WGSN que a Liv Up implementou desde o início do negócio, foram as soluções digitais. De acordo com a consultoria americana, o “o uso da tecnologia para resolver desafios de sustentabilidade no setor de alimentação” e marcas que criem produtos e experiências personalizadas podem se favorecer neste mercado.

Mas essa preocupação com o meio ambiente, com controlar o processo todo de uma ponta a outra e ainda oferecer um produto saudável pode custar caro. Quando pergunto a Santos qual a estratégia da Liv Up para manter os preços acessíveis — coisa rara no universo saudável e orgânico —, ele garante que esse não é mais um problema.

“Essa foi exatamente a pergunta que eu fiz para o Henrique quando a gente estava montando o projeto lá em 2015. A gente se aprofundou no mercado e viu que existem milhares de produtores com um volume muito alto de produção”, disse.

De acordo com o CEO, a operação integrada da marca, que controla desde a produção dos alimentos até a venda para o cliente final, permite o uso de dados para equilibrar mais rapidamente oferta e demanda.

“O grande desafio que esse setor enfrenta é, na verdade, o desperdício e o grande número de intermediários na cadeia tradicional. No geral, quem acaba ganhando o prêmio muitas vezes é o distribuidor ou o varejista lá na ponta e não quem coloca a mão na terra e faz tudo isso acontecer”, diz.

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