Clientes da H&M podem transformar roupas usadas em novas na loja da Suécia

Por enquanto, a transformação pode dar origem a um suéter, um cobertor de bebê ou um lenço por uma taxa de US$ 11 a US$ 16

Parija Kavilanz, da CNN Business
08 de outubro de 2020 às 19:34 | Atualizado 14 de outubro de 2020 às 12:02

A rede de lojas de moda H&M quer transformar roupas usadas em algo novo para vestir – e tudo em cinco horas e na frente do cliente.

A partir de segunda-feira (12), os clientes poderão entregar roupas que não querem mais na loja de Estocolmo, na Suécia. Elas serão limpas e depois colocadas em uma máquina chamada Looop que irá fragmentá-las em fibras. Em seguida, serão transformadas em novas peças.

O esforço vem em meio a um aumento do volume global do desperdício de roupa e a crescente preocupação com a contribuição das redes de moda rápida (ou fast fashion) para isso.

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Foto: Fernand De Canne/Unsplash

A empresa disse que o processo de reciclagem não usa água nem produtos químicos. No entanto, às vezes pode precisar da adição de matérias-primas “de origem sustentável” – algo que a empresa pretende manter no “mínimo possível”.

Por enquanto, os clientes podem escolher que a transformação dê origem a um suéter, a um cobertor de bebê ou a um lenço por uma taxa que custa entre US$ 11 e US$ 16.

“Queremos expandir a gama de itens disponíveis à medida que conhecemos melhor o Looop”, disse a empresa por e-mail à CNN Business.

Embora o Looop possa ajudar a espalhar a conscientização sobre o desperdício de roupas e a reciclagem, por enquanto, ele não tem escala para causar um impacto generalizado no volume anual de lixo composto de vestuário.

De acordo com o site da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, 16,9 milhões de toneladas de resíduos têxteis foram gerados nos Estados Unidos em 2017, último ano com dados disponíveis. A taxa de reciclagem foi de apenas 15,2%, com 2,6 milhões de toneladas recicladas.

“A moda rápida teve um impacto nisso porque muitas das roupas não são bem construídas ou feitas com materiais sintéticos que não podem ser facilmente reciclados”, explicou Jackie King, diretora executiva da Associação de Materiais Secundários e Têxteis Reciclados, um grupo comercial da indústria de reciclagem de têxteis.

A H&M e outras empresas de fast fashion, como a Zara, tomaram algumas medidas para reduzir o desperdício de têxteis.

Em 2013, a H&M lançou um programa global de coleta de roupas em todas as suas lojas e definiu a meta de fazer com que todas as roupas vendidas em suas lojas fossem feitas de materiais reciclados ou de origem sustentável até 2030. Hoje esse número é de 57%, segundo a empresa.

Da mesma forma, os clientes podem deixar roupas, calçados e acessórios usados em mais de 1.300 lojas da Zara. No ano passado, a Zara anunciou que até 2025 todo algodão, linho e poliéster usados pela empresa serão orgânicos, de origem sustentável ou reciclados.

“Um dos maiores impulsionadores do consumo de roupas são os vendedores de fast fashion”, disse Deborah Drew, analista e líder de impacto social do World Research Institute, instituto sem fins lucrativos de pesquisa global. “Grandes empresas como a H&M e a Zara podem ter um impacto realmente grande e transformacional na indústria e nos consumidores se abrirem o caminho para facilitar a mudança.”

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

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