Embraer está em área de menor turbulência, mas ação deve cair 19%, diz Bradesco

'Divórcio' com a Boeing e Covid-19 criam um cenário complicado para a Embraer, mas há chance do otimismo voltar mais rápido – como com a aprovação da vacina

André Jankavski, do CNN Brasil Business, em São Paulo
09 de outubro de 2020 às 05:00
Letreiro da Embraer em Las Vegas, Nevada: otimismo com o futuro da empresa pode voltar com uma vacina da Covid-19
Foto: REUTERS/David Becker

O ano de 2020 não tem sido dos melhores para a Embraer (EMBR3). Ao contrário. Além da pandemia, que tem prejudicado (e muito) o setor aéreo como um todo, a Embraer tomou um tombo ainda maior quando foi cancelada a parceria com a Boeing, em abril, 21 meses após o acordo ter sido fechado.

As suas ações tiveram uma queda de 66% de janeiro para cá. No pregão da última quinta-feira (8), tiveram uma senhora alta de 5% – e chegaram a R$ 6,69. Mas elas devem cair 19,2% até o fim de 2021, segundo o preço-alvo definido pelo Bradesco BBI, de R$ 5,40. Esse é o cenário base da corretora.

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E olha que isso é até uma boa notícia. As previsões anteriores do banco era de que as ações teriam um valor de R$ 5. De acordo com os analistas Victor Mizusaki e Flavia Meireles, um dos pontos para uma “volta” do otimismo é que a administração começou a ajustar a sua estrutura de custos.

“A Embraer tem caixa suficiente para superar a pandemia da Covid-19 e se reajustar a vida de ‘solteiro’”, diz o relatório.

No segundo trimestre, a companhia reportou um caixa de US$ 2 bilhões, além de ter captado US$ 600 milhões por meio de empréstimo sindicalizado e US$ 750 milhões através de emissão de bônus.

O Bradesco também confia na gestão do CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto. O histórico dele, de acordo com os analistas, é excelente. “Como ex-CEO da Marcopolo, ele transformou a fabricante líder global de carrocerias de ônibus ao mesmo tempo em que melhorou a eficiência em suas linhas de produção”, escreveram.

Porém, há alguns riscos que podem derrubar o preço alvo para R$ 4,20: potenciais cortes no orçamento de defesa brasileiro, renegociação dos caças KC390 pela Força Aérea Brasileira, cancelamento de pedidos com o alongamento da pandemia e competição mais acirrada com a rival Airbus.

No cenário otimista, que prevê um valor de R$ 9,60, seria uma volta dos pedidos de aeronaves com a pandemia resolvido – logo, com uma vacina aprovada. Até agora, no entanto, não existe uma data para que isso aconteça.

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