Os robôs vão tornar nossos trabalhos mais seguros e não são ameaças aos empregos

Os empregadores estão buscando tecnologia para ajudar a proteger seus trabalhadores contra o coronavírus. Para isso, contam com tecnologias como robôs ágeis

Robert Playter para o CNN Business, em Nova York
10 de outubro de 2020 às 05:00
O robô Model-T, da Telexistence, arruma prateleiras em lojas de Tóquio, no Japão
Foto: Divulgação/Telexistence

Como resultado da pandemia de Covid-19, setores que antes não representavam riscos à saúde e à segurança dos trabalhadores (como entrega de pacotes e alimentos, viagens, hospitalidade e até mesmo energia, transporte e construção) agora o fazem. Muitos desses trabalhos não podem ser realizados por meio do Zoom, exigindo uma presença física.

Portanto, os empregadores estão buscando tecnologia para ajudar a proteger seus trabalhadores contra o coronavírus. Para isso, contam com tecnologias como robôs móveis ágeis para fazer uma infinidade de trabalhos que exigem uma presença física para que os trabalhadores humanos não corram o risco de
adoecer.

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Essa parceria entre pessoas e máquinas inspirada pela pandemia é algo que, acredito, sobreviverá por muito tempo à própria pandemia e redefinirá o futuro do trabalho.

Emparelhar robôs que podem fazer o trabalho físico com humanos que fornecem inteligência, percepção e capacidade de tomar decisões pode permitir que o trabalho continue em ambientes que de outra forma seriam inseguros ou simplesmente desagradáveis para os humanos.

O resultado dessa união é tão eficaz quanto o próprio robô. Um princípio organizador de nosso trabalho na Boston Dynamics tem sido o de criar máquinas que tenham um pouco da inteligência física que nós,  humanos, subestimamos por achar natural. Atravessar um quarto bagunçado sem tropeçar, subir escadas, abrir uma porta ou empilhar caixas torna-se automático para nós, humanos, assim que passamos do estágio de bebês. Mas essas habilidades físicas básicas estavam além da capacidade da maioria dos robôs móveis até recentemente.

Ao compreender as capacidades e limitações dos robôs, podemos visualizar melhor uma função para eles no local de trabalho que amplia, e não substitui, o trabalho humano.

Já existem várias aplicações em que robôs e humanos trabalham em conjunto, com robôs assumindo as partes arriscadas, tediosas ou fisicamente exigentes do trabalho, enquanto um colega humano,  ossivelmente localizado remotamente, avalia orienta o robô. A Ford, por exemplo, está emparelhando
um robô com engenheiros para mapear suas instalações e criar plantas digitais. Já a Aker BP, uma  empresa de exploração e desenvolvimento de petróleo, está explorando como os robôs podem assumir tarefas arriscadas em operações offshore.

A área de saúde tem aplicações não só óbvias como impactantes da tecnologia robótica. Como não ficam doentes, robôs podem ser usados em certos as circunstâncias podem ajudar a proteger os profissionais de saúde e os pacientes.

Socorristas, por exemplo, agora podem usar robôs para interagir com as famílias afetadas pela Covid-19 e colher sinais vitais.

Há anos, empresas de varejo e entrega têm explorado o uso de robôs e drones para classificar ou entregar pacotes. Com os riscos da Covid-19, a necessidade de ampliar essa tecnologia tornou-se imediata. Usar robôs para lidar com a entrega de pacotes no endereço final e limitar a interação humana, por exemplo, não apenas ajuda a proteger os motoristas, mas também tranquiliza os clientes. No ano passado, a DoorDash anunciou o uso de um robô de entrega de comida e a FedEx revelou a implementação de um robô de entrega autônomo. As preocupações com a saúde apenas irão acelerar a
adoção da tecnologia robótica.

Serviços essenciais, como geração e distribuição de eletricidade, também estão agora usando robôs para tarefas de inspeção repetitivas e tediosas, reservando o julgamento crítico para um operador humano  localizado com segurança em um centro de controle remoto. Tais serviços estão incorporando a robótica
com velocidade sem precedentes e integrando a tecnologia às responsabilidades regulares de gerentes e líderes de projeto locais. O impacto foi profundo: o que costumava tomar semanas ou meses de trabalho agora pode ser simplificado em dias.

Em vez de ver os robôs como ameaças ao trabalho manual e aos cargos básicos, a pandemia está exigindo que pensemos sobre como a tecnologia pode aumentar e até mesmo melhorar nossos empregos atuais. Quando uma solução (como robôs móveis ágeis) prova ser útil para os desafios de saúde e segurança de hoje, mas também é versátil o suficiente para ser facilmente adaptada para as necessidades futuras de uma força de trabalho em escala, ela está bem posicionada para adoção ampla e sustentada. A pandemia pode ter acelerado a parceria entre robôs e humanos, mas as empresas verão a recompensa de longo prazo de manter essa tecnologia em vigor depois que a pandemia acabar.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês)

*Robert Playter é CEO da Boston Dynamics. As opiniões expressas neste texto são dele.