Cacau Show tem pandemia menos amarga com aumento de franquias e vendas online


Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo
13 de outubro de 2020 às 05:00 | Atualizado 13 de outubro de 2020 às 11:53

Mesmo em um ano considerado perdido por muitas empresas, a Cacau Show passa tranquila pela crise. Pelo menos é o que garante Alê Costa, CEO e fundador da varejista. Ele foi participou do Panorama CNN Brasil Business. Na entrevista, ele disse que a pandemia não causou grandes impactos na rede. E o plano de expansão continua a pleno vapor.

Em 2020, serão 150 novas franquias, 60% delas serão abertas por franqueados que já fazem parte do quadro da rede, e o restante terá novos investidores.

Segundo Costa, trata-se de um movimento que vai totalmente na contramão do que aconteceu nos anos anteriores. Ou seja, os franqueados estão bem confiantes com a retomada.

Não por acaso, com 150 aberturas programadas e 49 unidades fechadas, o saldo da Cacau Show será bem positivo em 2020.

Loja Cacau Show; varejo

Loja da Cacau Show: rede deve fechar o ano com a abertura de 150 lojas

Foto: Divulgação/Cacau Show

E em um período de pandemia, esse dado chama a atenção. Afinal, com o aumento do número de desempregados no país e o consumo em baixa, esse crescimento pode até ser considerado uma surpresa. Então, qual foi o segredo da Cacau Show para ter esses resultados?

"Não fizemos absolutamente nada, a não ser o que sempre fizemos, que é conversar com as pessoas e propor um modelo de negócio”, disse. 

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Os números positivos de abertura de unidades chamam atenção, mas não mostram, sozinhos, como a Cacau Show atravessa o momento de crise. Antes da pandemia, a rede previa crescimento de 15% no faturamento na comparação com 2019. 

Mas, agora, Alê diz evitar previsões sobre crescimento – ou retração – para 2020 porque a pandemia deixa o cenário instável demais.

O CEO da Cacau Show se limitou a dizer que a empresa está passando pela pandemia sem tomar dinheiro emprestado e “sem um grande volume de demissões”.

Ele garantiu que a empresa continua investindo e contou que, pouco antes da entrevista, havia fechado um investimento de R$ 20 milhões para adquirir equipamentos para produção de chocolates. 

Mas o impacto no caixa da empresa será inevitável. Além disso, a companhia deu R$ 50 milhões em descontos sobre as vendas para os franqueados, como uma forma de apoio para o período complicado. Desta maneira, o impacto será mais sentido na indústria da Cacau Show do que, de fato, no varejo. 

Boom digital

A entrada da Cacau Show na pandemia foi complicada. A venda de chocolates não é considerada um serviço essencial e, de uma hora para outra, os únicos canais de contato da empresa com seus clientes – as lojas físicas – precisaram ser fechados. 

Nos supermercados, os chocolates ainda eram vendidos, mas apenas lá. As lojas especializadas, como a Cacau Show e seus concorrentes, precisaram correr para encontrar uma forma de fazer seus produtos chegarem aos consumidores. 

Aí, o digital ganhou um peso enorme na companhia: “em semanas, saímos de 200 pedidos por dia (via internet) até um pico de 60 mil pedidos em um dia na semana de Páscoa”, conta Alê.

O empresário conta que “o projeto para internet era para um ou dois anos”, mas foi acelerado e posto em prática em algumas semanas. 

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Com a aceleração do projeto de digitalização, a marca de chocolates passou a entregar os seus produtos na casa do consumidor através de um canal próprio para as entregas e ainda uma parceria com o iFood. Na Páscoa, data mais importante do ano para a empresa, a Cacau Show conseguiu vender 90% dos chocolates que produziu. 

“Já tínhamos um movimento (de digitalização) encaminhado, o que fizemos foi colocar velocidade. Temos como princípio fazer tudo com nossos recursos, em vez de trazer as pessoas de fora”, disse Alê. 

Com isso, o online teve um boom dentro da Cacau Show. De janeiro a setembro de 2019 a rede atendeu a 8.085 feitos pela internet. No mesmo período em 2020, foram 244.764 – alta de mais de 3000%.

Depois de chegar à casa do consumidor, o próximo passo é chegar mais rápido. “Estamos nos organizando para que cada loja seja um hub, o que é uma vantagem inacreditável, porque pouquíssimas empresas têm 2.350 pontos de distribuição”. 

Assim, a Cacau Show segue a estratégia das principais redes de varejo do país, que estão transformando suas lojas em mini centros de distribuição. Para a empresa de Alê Costa, isto não parece muito complicado: “é só uma questão de organização, de (escolher) os momentos do dia que fazemos isso e layout de estoque; nada muito complexo”. 

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