CEOs de grandes empresas dos EUA dizem que próxima meta é combater o racismo


Jeanne Sahadi, do CNN Business
18 de outubro de 2020 às 07:00
Manifestante segura cartaz com rosto de George Floyd durante protesto em NY

Manifestante segura cartaz com rosto de George Floyd durante protesto em Nova York

Foto: Caitlin Ochs/Reuters (3.jun.2020)

Enquanto o movimento Black Lives Matter varria os Estados Unidos no primeiro semestre deste ano, as empresas do país prometiam ajudar no avanço da equidade e justiça racial. Mas muitos questionaram como os líderes empresariais fariam isso.

Na quinta-feira (15), o Business Roundtable – um grupo de executivos que dirigem as maiores corporações dos Estados Unidos – lançou um relatório recomendando formas específicas de combater o racismo sistêmico no emprego, finanças, educação, saúde, habitação e sistema judiciário.

Leia também: 

Presidente do Magazine Luiza: 'Diversidade vai gerar resultados maiores'

Consultorias se especializam em recrutar negros; cultura ainda é barreira

“Esses desafios sistêmicos de longa data impediram muitas vezes o acesso aos benefícios do crescimento econômico e da mobilidade para muitas pessoas”, disse o presidente do Business Roundtable Doug McMillon, presidente e CEO do Walmart. “São nossos funcionários, clientes e comunidades que estão clamando por mudanças estamos ouvindo e – o mais importante – estamos agindo”.

As recomendações e compromissos do Business Roundtable, um importante grupo de lobby empresarial, são abrangentes. Em termos de esforços legislativos e governamentais, o relatório pede um aumento do salário mínimo federal, reformas na polícia e melhor acesso a creches e educação a preços acessíveis.

O grupo está se comprometendo com várias iniciativas destinadas a garantir que os negros norte-americanos tenham mais acesso a melhores empregos, ajudando a aliviar a dívida dos alunos, concentrando-se mais em habilidades do que em diplomas universitários na hora da contratação, apoiando faculdades e universidades historicamente negras, divulgando publicamente as métricas de diversidade e fazendo mais para estabelecer a igualdade de remuneração em suas empresas.

O grupo também se comprometeu a fazer mais para apoiar as pequenas empresas de propriedade de negros, fornecendo US$ 1 bilhão para instituições de empréstimos comunitários até 2025, além de criar um sistema de mentoria para 50 mil empreendedores negros e latinos de pequenas empreedimentos nos próximos cinco anos.

Os membros da Business Roundtable estão se comprometendo a ajudar as pessoas não brancas alcançando mais negros e latinos sem contas bancárias e assim ajudando-os a ter crédito. Eles planejam investir US$ 30 bilhões para construir 200 mil unidades de aluguel acessíveis até 2025.

Em 2019, o grupo divulgou uma declaração de objetivo corporativo, que destacou que as empresas de capital aberto têm uma obrigação não apenas para com os acionistas, mas para com todas as partes interessadas, incluindo funcionários, clientes e as comunidades onde atuam. No entanto, o documento foi recebido com ceticismo por críticos das corporações, que estão rastreando como os ideais que os membros do Business Roundtable expressam publicamente casam com suas ações.

O presidente McMillon parece ter reconhecido que o relatório de 2020 pode encontrar o mesmo ceticismo, como ficou claro em um artigo de opinião escrito por ele para o jornal “USA Today” antes do lançamento do documento.

“Conforme escrito, essas iniciativas não pesam mais do que o papel em que são impressas. Qualquer poder que elas tenham virá da energia, dos recursos e do compromisso sustentado que colocamos para trás. Será necessário todo o peso dos negócios, em cooperação com outros líderes, para impulsionar a mudança. Mas devemos agir, e devemos agir agora”.

Clique aqui para acessar a página do CNN Business no Facebook