Após acordo, Brasil e EUA falam em preocupação com segurança e privacidade no 5G


Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
20 de outubro de 2020 às 20:24
Embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, em entrevista para a CNN
Embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, em entrevista para a CNN (20.out.2020)
Foto: CNN Brasil

As diplomacias de Estados Unidos e Brasil adotaram discursos alinhados a respeito da implementação da tecnologia 5G e os impactos para a economia e para a diplomacia após a assinatura de acordos regulatórios e comerciais entre segunda (19) e terça-feira (20).

Em entrevista exclusiva à CNN, tanto o embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman, quanto o embaixador brasileiro em solo americano, Nestor Forster, afirmaram que questões de soberania e privacidade estão em jogo na discussão do 5G.

Os Estados Unidos têm atuado de forma intensa contra a utilização da tecnologia chinesa, sobretudo da empresa Huawei, nas redes de 5G de países aliados. Segundo o governo americano, a presença da China no 5G pode ameaçar a privacidade dos usuários e a segurança dos dados.

À CNN, o embaixador Chapman voltou a dizer que a presença do Brasil em "redes limpas" do 5G é assunto que preocupa o governo dos EUA.

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"Nosso interesse é muito mais do que comercial. Não temos uma empresa americana que está competindo por esta parte do negócio, mas é claro que temos um interesse muito grande em ter redes limpas, para ter realmente a proteção de dados, a proteção da informação e a proteção da propriedade intelectual", disse.

Questionado sobre possíveis danos às relações do Brasil com a China, caso o país venha de fato a impedir que a Huawei participe do leilão para implementar o 5G no país, Nestor Forster disse que o assunto não estava em sua alçada, mas reiterou a visão norte-americana de que esse tema é algo mais do que apenas tecnológico ou financeiro.

"O 5G não pode ser só reduzido ao seu componente tecnológico, ao seu componente financeiro. Ela tem tudo isso, mas ela tem também aspectos importantes relacionados à privacidade de dados, à segurança jurídica e a própria segurança nacional, porque faz parte da infraestrutura crítica do país. É a luz disso que essa decisão será tomada", disse Forster à CNN,