'A aquisição vai acelerar oportunidades de investimento', diz CEO da Necton


Natália Flach, do CNN Brasil Business, em São Paulo
26 de outubro de 2020 às 15:57
Maluf, Necton

Maluf, da Necton: "é um mercado que precisa encantar os clientes, e, para bater metas de performance (KPIs), é necessário fazer várias rodadas de investimento"

Foto: Divulgação

Quando há anúncio de aquisição, a primeira pergunta que costuma surgir é se a empresa comprada precisava de dinheiro para encobrir resultados negativos. A resposta, no caso da corretora Necton, que foi adquirida pelo banco BTG Pactual por R$ 348 milhões, é não.

Segundo Marcos Azer Maluf, presidente da corretora, a companhia ficou no positivo todos os meses de 2020, e, no ano passado, terminou com lucro de R$ 14,3 milhões. Bem diferente do cenário de 2018, quando terminou com prejuízo de R$ 10,8 milhões.

Pois, então, o que levou a corretora com R$ 16 bilhões de ativos sob custódia a se juntar ao BTG? "A parceria vai permitir desenvolvimento tecnológico, trazer fôlego financeiro, incluindo novidades para os clientes, além de sinergia com a plataforma de produtos do banco", afirma.

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É bom lembrar que até a compra a Necton estava na ponta compradora. A corretora, que surgiu da fusão da Spinelli e da Concórdia, adquiriu nos últimos 12 meses as carteiras de clientes da Coinvalores, da Lerosa Investimentos, além de ter fechado um acordo operacional com a Mundinvest, de câmbio.

"Não vendemos pela 'captação', mas o dinheiro certamente acelera novas oportunidades que estão no nosso pipeline. Até então, todas as nossas compras tinham sido feitas com dinheiro do caixa", diz Maluf.

O executivo, no entanto, afirma que não é possível determinar se alguma outra operação será realizada ainda em 2020. "O mercado é muito dinâmico, esperamos ter boas novidades em breve."

Sobre o setor de corretoras que está em franca consolidação -- basta lembrar que no último mês o Nubank comprou a Easynvest e o Santander a Toro Investimentos --, Maluf diz que é natural. "É um mercado que precisa encantar os clientes, e, para bater metas de performance (KPIs), é necessário fazer várias rodadas de investimento", afirma. 

Para o executivo, as corretoras querem, portanto, estar preparadas para atender o crescente número de clientes. De fato, já são mais de 3 milhões de CPFs cadastrados na B3, recorde histórico. "É só o começo da onda da pessoa física na Bolsa, e elas vão querer experimentar mais de uma plataforma de investimentos. Por isso, vamos investir em conteúdo para essa turma e oferecer mais diversificação (ativos)", diz. 

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