Nubank pede desculpa por fala de sua sócia classificada como racista

Em entrevista recente, uma das fundadoras afirmou que empresa tem dificuldade em recrutar negros para cargos de liderança

Juliana Elias, do CNN Brasil Business, em São Paulo
26 de outubro de 2020 às 16:25 | Atualizado 26 de outubro de 2020 às 18:15
Funcionários em expediente no escritório do Nubank, em São Paulo: empresa admitiu erros em fala polêmica sobre empregabilidade de negros
Foto: Nubank/Divulgação 

Os três fundadores do Nubank assinaram uma carta pública divulgada neste domingo (25) pedindo desculpas pelas declarações de Cristina Junqueira, uma das sócias, que afirmou que a empresa não tem negros em cargos de liderança por que a seleção “não pode nivelar por baixo”.

As declarações foram feitas durante uma entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, quando Junqueira falava sobre as políticas de inclusão do banco. A fala teve forte repercussão negativa nas redes sociais e foi classificada como racista.  

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A carta, publicada no blog do Nunbank, não cita diretamente o episódio, mas afirma que o banco, que já possui ações voltadas para diversidade de gênero e orientação sexual, erra ao não fazer um esforço maior de inclusão étnico-racial e em se acomodar nessa posição.

No texto, os fundadores também afirmam que vêm mantendo diálogos com clientes, representantes da comunidade negra e ONGs e que devem implantar novas políticas ainda neste ano para ampliar a presença de negros “em todas as posições e níveis da empresa”. A carta é assinada por Junqueira, David Vélez e Edward Wible.

“Ficamos acomodados com o progresso que tivemos nos nossos primeiros anos de vida que se refletia em algumas estatísticas relativas à igualdade de gênero e LGBTQIA+, por exemplo, que, repetidas, mascaravam a necessidade urgente de posicionamento ativo também na pauta antirracista”, diz o texto.

“Deixamos de nos questionar. Ignoramos o grande caminho que ainda tínhamos pela frente. Com isso, perdemos a humildade, que sempre foi a característica que nos ajudou a entender velhos problemas com novas soluções e uma mentalidade inovadora. Erramos.” 

Entre as novas ações anunciadas, está uma parceria o Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), que presta consultoria e avalia as empresas em termos de igualdade racial, e a ampliação do time de recrutamento voltado à busca de profissionais de grupos sub-representados.

Na semana passada, um dia após a exibição do programa, Junqueira já havia publicado um vídeo em suas redes sociais pedindo desculpas pelas declarações. “Queria pedir desculpas, não me expressei da melhor maneira. Queria agradecer todo o feedback, todo o mundo tem o que aprender”, disse.  

A repercussão da entrevista veio em um momento em que cresce o debate público sobre o racismo estrutural – conceito que entende que a cultura e as faltas de oportunidades que reduzem a participação dos negros em várias frentes estão arraigadas na sociedade – e a necessidade de as empresas se posicionarem de maneira mais ativa no sentido de reduzir a baixa representatividade desse grupo em seus quadros.  

Nos últimos meses, Magazine Luiza, Bayer, Ambev e P&G foram algumas empresas que também viram forte repercussão nas redes sociais após anunciarem programas de contratação de trainees voltados para negros.  O número de consultorias especializadas nesse tipo de serviço e de empresas que as procuram também cresce rápido.

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