CSN, WEG e CVC: veja as maiores altas e baixas do Ibovespa em outubro


Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo
30 de outubro de 2020 às 19:00 | Atualizado 30 de outubro de 2020 às 19:05
B3 Bolsa de Valores

Sede da B3, em São Paulo: em mês volátil, maiores variações de outubro foram maiores que os movimentos de setembro

Foto: Rahel Patrasso/Reuters

Outubro foi um mês de altos e baixos para a bolsa brasileira. No dia 22 de outubro, o Ibovespa chegou a encostar nos 102 mil pontos com o setor financeiro recuperando valor e o índice se descolou do desempenho do exterior em alguns momentos. Parecia que a bolsa iria decolar. Só pareceu. De lá para cá, tudo mudou. 

A preocupação do mercado com as novas medidas de isolamento social na Europa por causa de um crescimento no número de casos de Covid-19 no continente promoveu um fim de mês caótico no mercado de ações. Isso fez o Ibovespa fechar o mês aos 93.957 pontos. No mês, o índice recuou 0,69%.

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Em novembro, dois temas vão pautar os mercados: o resultado da eleição presidencial nos Estados Unidos e a segunda onda de Covid-19 na Europa.

“O novo pico de Covid-19 neste final de outubro pegou o mercado de surpresa e deve trazer bastante volatilidade para novembro, pois coloca em xeque a perspectiva de crescimento do ano que vem que já não estava tão forte por conta do primeiro lockdown”, explica Rafael Ribeiro, analista de ações da Clear Corretora. 

No meio de toda essa bagunça, algumas ações se destacaram – postiva ou negativamente. É interessante observar que, dos dois lados, as variações foram mais fortes do que o observado em setembro, quando a ação que mais subiu teve variação postiva de 17,7% e a que mais caiu teve tombo de 19,7%.

Maiores altas

CSN (CSNA3

As empresas do setor siderúrgico se aproveitam da tendência de forte alta do minério de ferro. Isso ajudou as ações da CSN a terem valorização de mais de 27%. 

Em outubro, a empresa anunciou que apresentou pedido para o que deve ser uma das maiores ofertas de ações do ano, envolvendo suas operações de produção de minério de ferro.

A companhia afirmou que o IPO da CSN Mineração terá ofertas primária, quando o dinheiro levantado vai para o caixa da empresa, e secundária, papéis detidos por atuais acionistas.

O anúncio ocorreu poucos dias após a CSN anunciar uma meta de alavancagem menor ao final de 2021, de 2,5 vezes, do que a informada em julho, sem citar detalhes sobre como pretende acelerar a redução no endividamento.

No ano, os papéis da CSN têm alta de 49,42%. 

WEG (WEGE3)

Não é surpresa a presença da WEG na lista das ações que mais se valorizaram em um mês. No ano, a valorização do papel chega a incríveis 132% enquanto o Ibovespa cai 18%. 

A empresa reportou lucro líquido de R$ 644,2 milhões no terceiro trimestre, alta de 54% ante o mesmo período de 2019, com a retomada da demanda de equipamentos de ciclo curto, além da manutenção do bom desempenho dos negócios de ciclo longo e controles de custos.

Santander (SANB11)

Os investidores olharam com carinho para o setor financeiro em outubro. Os papéis dos bancos ainda estão baratos, na visão dos analistas, e a ação do Santander foi a que mais recuperou terreno nos pregões de outubro. 

Ribeiro explica que o pico do Ibovespa em outubro foi alcançado graças aos bancos, que se recuperaram após “pessimismo sobre os resultados, em especial sobre inadimplência e nível de provisionamento”. Segundo ele, a divulgação dos resultados afastou a desconfiança do mercado. 

O Santander Brasil divulgou nesta terça-feira (27) lucro líquido acima do esperado para o terceiro trimestre, com ganhos em operações no mercado elevando a margem financeira, apesar da crise desencadeada pelo coronavírus.

O lucro líquido alcançou R$ 3,9 bilhões nos três meses encerrados no final de setembro, alta de 5,3% em relação ao mesmo período do ano anterior e 47% superior a estimativas compiladas pela Refinitiv.

Em 2020, as ações do Santander caem 28,47%.

Maiores baixas

CVC (CVCB3)

A segunda onda de Covid-19 na Europa colocou muita pressão sobre os mercados em todo o mundo e as ações ligadas ao turismo sofreram muito na última semana de outubro. 

Com isso, os papéis da CVC – que já não são os favoritos do mercado em tempos de pandemia – tiveram a maior queda do mês. 

No ano, a desvalorização é de 69,23%, a segunda maior do Ibovespa. 

IRB (IRBR3)

A ação que mais cai em 2020 ficou mais uma vez entre os piores desempenhos de um mês. Os investidores olham com extrema desconfiança para a empresa, que aumentou seu lucro de maneira artificial em 2019, segundo a gestora de fundos Squadra.

O lucro de R$ 1,4 bilhão registrado pelo IRB nos três primeiros trimestre do ano passado seria, na verdade, um prejuízo de R$ 112 milhões. Entre dados extraordinários estavam contabilização de recebimentos de sinistros ainda não pagos e até a venda de participação em um shopping. 

No ano, as ações têm desvalorização de 82,7%

Yduqs (YDUQ3)

As ações da Yduqs sofrem com a pressão sobre o setor de educação por causa dos desafios impostos pela pandemia aos modelos de negócio dessas empresas. A escalada da inadimplência e da evasão de alunos é a principal preocupação do mercado. 

Essas empresas ainda precisam investir muito em tecnologia, o que pressiona suas margens. No segundo trimestre, a Yduqs reverteu lucro do ano passado e teve prejuízo de R$ 194,8 milhões. 

A Yduqs ainda não divulgou balanço do terceiro trimestre. No ano, as ações caem 49,34%. 

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