Paulo Guedes perde apoio na política e no mercado financeiro

Onda de insatisfação com o ministro já chegou aos ouvidos do presidente Jair Bolsonaro

Daniela Lima
Por Daniela Lima, CNN  
30 de outubro de 2020 às 16:15 | Atualizado 30 de outubro de 2020 às 16:38


 

Ao falar em uma audiência no Senado na quinta-feira (29), o ministro Paulo Guedes (Economia) reabriu a temporada de críticas ao seu trabalho na política e no mercado financeiro. Tentando atingir seu adversário interno no governo, o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, Guedes acabou atacando a federação que representa os bancos no país, deixando o agentes financeiros tensos e os políticos perplexos.

A onda de insatisfação com o ministro já chegou aos ouvidos do presidente Jair Bolsonaro. Não são poucos e nem desimportantes os aliados do presidente que têm dito que o ideal é começar a traçar uma rota para a saída de cenado ministro, visto como explosivo, imprevisível e desmedido.

Esses aliados têm dito que Paulo Guedes, quando pressionado, vira a mesa e redireciona a pressão para o próprio presidente da República, levando-o a assumir desgastes desnecessários.

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Esses aliados dizem que ninguém espera que o presidente demita Paulo Guedes ou o afaste no curto prazo, mas alertam que o ambiente está inóspito para o ministro da Economia e que sua saída agradaria a uma ala importante dos partidos de centro e, agora, já não alarmaria setores importantes do mercado, que já não acreditam piamente na capacidade de Guedes de entregar as reformas que prometeu logo após a eleição.

Os investidores também começaram a duvidar da capacidade do governo de entregar essas reformas. Os sinais apareceram de forma clara nos últimos dias com dólar alto e bolsa em queda. A preocupação com esse cenário fez o governo então rever os planos. Agora, a prioridade é tocar no Congresso projetos que deem sinais claros aos investidores de compromisso com o controle das contas públicas.