Bugatti apresenta carro que pode chegar a 480 km/h

O Bugatti Bolide é um carro-conceito projetado exclusivamente para direção em pista, não para uso em vias públicas

Peter Valdes-Dapena, do CNN Business, em Nova York
31 de outubro de 2020 às 07:00
Com ênfase na aerodinâmica, o Bugatti Bolide é ainda mais baixo do que os outros carros da Bugatti
Foto: Divulgação/Bugatti

A Bugatti apresentou na quarta-feira (28) seu novo hipercarro com 1.800 cavalos de potência. Mas o modelo é menos prático que as poderosas e multimilionárias máquinas de dois lugares que a marca costuma fazer.

O Bugatti Bolide – um nome que vem da gíria francesa para “carro muito rápido”, ou seja, bólido, de acordo com a Bugatti – é um carro-conceito projetado exclusivamente para direção em pista, não para uso em vias públicas. O Bolide tem uma versão modificada do enorme motor de 16 cilindros de 8 litros encontrado no Chiron da Bugatti, o modelo principal da marca. De acordo com a empresa, ele é montado para ser superleve e pode atingir uma velocidade máxima de mais de 480 quilômetros por hora.

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A Bugatti não disse se vai vender o Bolide, mas marcas de alta perfomance como Ferrari e Lamborghini oferecem carros de pista apenas para clientes ricos que desejam dirigir seus próprios carros de corrida particulares. Modelos como este não têm muitos equipamentos de segurança contra acidentes, exigidos em carros de estrada, como airbags, mas têm o equipamento de segurança especializado exigido em muitas pistas de corrida, como acessórios para arreios de corrida.

Projetado com uma aerodinâmica ideal, o Bolide tem um pouco mais de um metro de altura, o que é cerca de 30 centímetros mais baixo que o Chiron. Para entrar, os ocupantes devem sentar-se no parapeito da porta e colocar as pernas para dentro antes de deslizar para o assento.

O Bugatti Bolide usa a engenharia básica do Bugatti Chiron e reduz seu peso enquanto aumenta a potência do motor

Foto: Divulgação/Bugatti

Ao projetar o Bolide, a ênfase foi colocada na redução de peso e na melhoria da aerodinâmica. A concha de ar que sobe do telhado é coberta por uma película especial que forma bolhas quando o carro está em alta velocidade. Tais bolhas melhoram o fluxo de ar sobre a concha em 10%, ao mesmo tempo que reduzem a sustentação aerodinâmica em 17%, de acordo com Bugatti.

Segundo a montadora, todos os parafusos e fixadores do carro são feitos de titânio, e muito do resto do carro é construído em fibra de carbono leve e ligas de titânio. O Bolide pesa pouco mais de 1.200 quilos, em comparação com 2.000 do Chiron. Muito peso também foi economizado no Bolide por não se dar atenção ao luxo e muito pouco ao conforto. O interior é extremamente esparso e simples com bancos de corrida finos e leves em vez dos bancos estofados usados no Chiron.

“Toda a experiência da Bugatti foi condensada no Bugatti Bolide”, afirmou Stefan Ellrott, chefe de desenvolvimento da Bugatti. 

Segundo ele, projetar o Bolide foi uma oportunidade de experimentar novas técnicas com o objetivo de reduzir o peso e aumentar o desempenho. Por exemplo: os turbocompressores acoplados ao motor foram especialmente projetados para permitir mais potência em altas velocidades. Os sistemas de lubrificação de alto desempenho da Bugatti foram reprojetados para lidar com forças de curva extraordinariamente altas que podem fazer com que o combustível se mova onde é necessário.

Se a Bugatti decidir vender o Bolide, o preço certamente será de vários milhões de dólares, com base no preço dos outros carros da Bugatti e no custo de tipos semelhantes de outras montadoras.

O Chiron, no qual o Bolide se baseia, custa mais de US$ 3 milhões e apenas 500 serão feitos. Nos últimos anos, a Bugatti apresentou uma série de outros carros baseados na engenharia do Chiron, incluindo o Divo, uma versão projetada para velocidades máximas mais baixas, mas melhores curvas, das quais fará apenas 40 peças. Há também o Centodieci, um carro projetado para comemorar o 110º aniversário da Bugatti, dos quais apenas 10 serão construídos. O Centodieci tem preço inicial de US$ 9 milhões e o Divo de US$ 6 milhões.

Um Bugatti mais prático?

Curiosamente, os engenheiros e projetistas da Bugatti estavam trabalhando em algo radicalmente diferente para a marca: um modelo de preço mais baixo e mais prático. Mas esse trabalho foi interrompido devido à pandemia.

“Estávamos pensando num carro de quatro lugares com um design completamente diferente – não um SUV, não um sedã, algo realmente, realmente único em termos de design e criação de um novo segmento”, contou Cedric Davy, diretor de operações da Bugatti da Américas, disse em uma entrevista recente. “A ideia não morreu, mas, por enquanto, ninguém está trabalhando nisso”.

Adicionar um modelo mais prático à linha é algo que outras empresas de supercarros adotaram para atrair mais clientes e aumentar os lucros.

A marca-irmã da Bugatti, a Lamborghini (ambas de propriedade da Volkswagen) começou a vender o SUV Urus em 2018, dobrando rapidamente as vendas da Lamborghini. E a Ferrari está trabalhando em algo que chama de Purosangue que deve ser revelado no próximo ano. Os executivos insistem que não será um SUV crossover tradicional, mas mais espaçoso e confortável para os passageiros do que qualquer Ferrari anterior.

Segundo um porta-voz da Bugatti, o motivo da paralisação temporária do desenvolvimento do modelo de quatro portas não tem a ver com restrição financeira, mas sim com a simples incerteza causada pela pandemia. O desenvolvimento de um novo modelo envolve trabalhar e examinar fornecedores, criar protótipos e avaliar como será o mercado depois que a pandemia acabar, o que é difícil de fazer neste momento.

Mas pode haver mudanças ainda maiores em andamento para a Bugatti. Há relatos na mídia que a Volkswagen pensa em vender a marca para a Rimac, uma empresa croata que fabrica supercarros elétricos. Um porta-voz da Volkswagen não quis comentar sobre esses relatórios. A empresa não respondeu a um pedido de entrevista.

De qualquer forma, Davy disse que não ligar para os boatos.

“Estou na Bugatti há quatro anos e é provavelmente a quarta ou quinta vez que ouço que a empresa está sendo vendida, então não estou muito preocupado”, disse Davy.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

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