Investimento para tempos de crise, cotação do ouro cai 5% em dia de otimismo

Queda acontece em meio a onda de valorização do metal, que vem tendo altas fortes há dois anos em meio a busca de investidores por segurança

Juliana Elias, do CNN Brasil Business, em São Paulo
09 de novembro de 2020 às 17:15 | Atualizado 09 de novembro de 2020 às 21:17
Ouro barras moeda
Moedas de ouro: correção acontece em meio a uma escalada inédita da cotação do metal
Foto: Sabrina Ringquist/Unplash

Opção para onde os investidores correm em tempos de incerteza aguda, o ouro viu sua cotação despencar nesta segunda-feira (9), em um dia de fortes injeções de otimismo no mercado financeiro. 

A notícia de avanços no desenvolvimento de um vacina para o coronavírus e o desfecho das eleições presidenciais americanas, depois de quatro dias de indefinição, fizeram bolsas do mundo inteiro começarem a semana com fortes altas. 

A forte correção no preço do ouro acontece em meio a uma escalada inédita que a cotação do metal, tradicional investimento de segurança e afeito a pouca valorização, vem registrando nos últimos anos. Do início de 2019 até o fechamento da semana passada, ele já acumulou alta de mais de 50%, considerado seu preço em dólar. 

Nesta segunda-feira, a cotação do ouro na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex) fechou o dia em queda de 4,9%, em US$ 1.854,40 a onça-troy. As cotações consideram os contratos futuros para dezembro. 

Incertezas fomentaram alta inusitada

A disparada inusitada dos últimos anos já vinha acontecendo conforme instabilidade política e incertezas econômicas cresciam no mundo e faziam mais e mais investidores procurarem algum destino “sólido” para suas aplicações. 

Por trás dessa corrida, estão juros que foram ficando cada vez mais baixos e até negativos – o que minou o velho porto-seguro da renda fixa –, ao lado de dúvidas quanto ao potencial de ganhos das bolsas de valores. Com o estouro da pandemia, tudo isso ficou ainda mais latente e o ouro passou a testar novos tetos ainda mais altos. 

“O investimento no ouro era realmente recomendado para casos estranhos, como uma guerra, porque quem tem ouro tem algum valor”, diz a estrategista-chefe da Órama, Sandra Blanco. “A ideia inicial dele não é ter valorização, é servir como uma reserva de valor, um porto seguro. Mas, com a redução dos juros, o custo de mantê-lo na carteira ficou mais baixo.” 

Quem investe em ouro não compra o metal físico, mas sim contratos que o representam e que são negociados em bolsas de valores. Pessoas físicas e pequenos investidores podem ter acesso a ele por meio de fundos de investimentos que aplicam nesses papéis. 

Com as repetidas altas dos últimos anos, analistas do mundo todo discutem se o ouro já atingiu seu teto ou se ainda tem espaço para continuar subindo. De acordo com Blanco, da Órama, é difícil ainda ver a redução de hoje como uma reversão da tendência de busca por um porto seguro, e o caminho de alta pode ainda não ter acabado.

“Em um dia de otimismo, os investidores que tinham ouro estão vendendo uma parte para comprar ações, e estão havendo variações exageradas em tudo”, diz ela. “Mas as coisas ainda estão longe de estar definidas. As taxas de juros continuam baixas no mundo inteiro, ainda há muita dúvida de como ficará a economia no futuro e as incertezas continuam.”

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