Magalu: ações já subiram 112% e podem avançar mais 37% com foco no e-commerce

Com os resultados positivos, o mercado projeta mais crescimento para o papel, que já é um dos líderes em valorização neste ano

Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo
11 de novembro de 2020 às 05:00 | Atualizado 11 de novembro de 2020 às 09:50
Fachada de loja do Magazine Luiza: empresa segue surpreendendo ao mercado
Foto: Divulgação

O Magazine Luiza (MGLU3) apresentou, mais uma vez, um resultado trimestral surpreendente. A vendas totais cresceram 81% no terceiro trimestre; o e-commerce avançou 148%; o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cresceu 41%; e o lucro líquido ajustado avançou 70% e foi para R$ 216 milhões. 

Com os resultados positivos, o mercado projeta mais crescimento para o papel, que já é um dos líderes em valorização neste ano. 

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No último pregão, desta terça-feira (10), as ações da varejista fecharam com valor de R$ 25,22. Para o BB Investimentos, o papel deve chegar a R$ 34,70 em 12 meses – valorização de 37%. O preço-alvo do Bradesco BBI prevê valorização de 18% até novembro de 2021. 

Quer dizer, depois de subir 112% desde janeiro (e mais de 62000% em relação ao preço praticado há cinco anos), os analistas continuam recomendando a compra das ações. E ninguém sabe mais quando, finalmente, a ação do Magazine Luiza será considerada cara. 

Avanço no supermercado

O mercado se surpreendeu positivamente com os números divulgados. Quer dizer, surpreendeu mais uma vez. E, além dos players do e-commerce não alimentar, as empresas que lutam por uma fatia no varejo alimentar online, como GPA, Carrefour, iFood e Mercado Livre, também devem ficar preocupadas.

Em relatório, o BB Investimentos pontua que a categoria Supermercado se tornou líder no e-commerce da empresa em quantidade de itens vendidos. O consumo de bens não duráveis é recorrente, o que ajuda a explicar a liderança do segmento no e-commerce do Magalu. Porém, como os produtos têm valor menor na comparação com categorias como Eletrônicos, ainda não lideram o faturamento da loja online. 

Mesmo que esta não seja a categoria que mais dê dinheiro – por enquanto –, faz bastante sentido o investimento do Magalu. A recorrência neste mercado é fundamental para fidelizar os clientes. Afinal, se o consumidor puder resolver toda a vida dele em um só lugar (no caso, aplicativo), ele vai querer essa facilidade. 

E, para completar, a categoria de supermercados foi impulsionada pela pandemia da Covid-19. E esse foi o empurrão que a empresa precisava para popularizar este segmento, iniciado em outubro de 2017. A varejista fez a lição de casa. Nos últimos três anos, fez investimento importantes (e altos) em logística, a principal dor do varejo alimentar para operar online.

Mas, independentemente da categoria, a estratégia do Magazine Luiza para chegar rápido à casa do consumidor é a mesma. Hoje, tempo é dinheiro. A empresa usa suas lojas como centros de distribuição e, assim, só se preocupa com a chamada “última milha”, um trajeto curto do CD ao destino final.

Para ajudar nesse processo, o Magalu comprou, em maio de 2018, a Logbee, que é a empresa que se preocupa com essa última etapa da entrega. Com a integração da startup funcionando, 40% dos pedidos do e-commerce da empresa chegam em até 24 horas à casa dos consumidores. Um diferencial fundamental, ainda mais com concorrentes como o Mercado Livre também acelerando as suas entregas. 

“Essa integração físico-digital é fundamental para que a engrenagem funcione como o planejado e dê o melhor resultado possível”, diz o balanço da empresa. 

O Bradesco BBI destaca, em relatório, que as vendas de itens de supermercados do Magalu são “totalmente dependentes do uso das lojas físicas como dark stores”. Isso porque esses itens não são vendidos nas unidades físicas, mas apenas no e-commerce. 

O resultado, claro, deixa as maiores varejistas do Brasil em alerta. Hoje, Carrefour (CRFB3) e GPA (PCAR3) lideram o setor em faturamento e estão investindo para aumentar suas vendas online. 

No GPA, o e-commerce alimentar é responsável por 6% do faturamento do braço multivarejo da empresa. O Carrefour aparece um pouco atrás na venda de alimentos pela internet e tem faturamento menor que seu principal concorrente (R$ 186 milhões vs R$ 422 milhões do GPA). 

Modelo multicanal funciona

Com as lojas reabertas, o Magazine Luiza conseguiu provar, de uma vez por todas, que a integração entre online e offline tem tudo para dar certo. 

O crescimento do e-commerce chamou atenção, mas um fator positivo para a empresa é que as vendas nas lojas também cresceram. Isso mostra que a hipótese de canibalização – quando um canal impede o crescimento do outro” fica cada vez mais distante da realidade. 

As vendas em mesmas lojas – indicador que desconsidera o desempenho das unidades inauguradas ou fechadas nos últimos 12 meses – cresceram 7,2% no terceiro trimestre. O resultado é muito diferente do que o observado no trimestre anterior, quando, com as lojas fechadas, as vendas caíram 50,9%. 

Vem mais aquisições? 

O Magazine Luiza tem R$ 1,2 bilhão de caixa líquido, o que o BB Investimentos coloca como uma “posição confortável para seguir realizando investimentos necessários para implementar seu planejamento estratégico”. 

Comprar empresas não é uma novidade para o Magazine Luiza. Além da importante aquisição da startup de logística Logbee, a varejista já comprou a Netshoes, em um de seus movimentos mais simbólicos, e, recentemente, adquiriu a startup de Aiqfome, de delivery de alimentos e presente em cidades menores do interior. 

“Essas grandes empresas têm a necessidade de se desenvolver, principalmente em questões ligadas a tecnologia e logística”, avalia Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos. Ele pontua ainda que é difícil prever o próximo movimento, já que faz sentido a aquisição de empresas de praticamente qualquer setor, já que o Magazine Luiza quer que o consumidor compre, cada vez mais, no seu aplicativo. E a empresa tem mostrado que já tem conseguido isso. 

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