Alibaba vendeu R$ 413 bilhões, recorde da gigante varejista no Dia dos Solteiros

O faturamento representa um aumento de 26% ante 2019. Os consumidores usaram a data como uma oportunidade de autoindulgência

Sherisse Pham, do CNN Business
12 de novembro de 2020 às 10:57 | Atualizado 12 de novembro de 2020 às 11:14
AliExpress terá descontos no Dia dos Solteiros
AliExpress: aumento das vendas de itens de luxo
Foto: Marco Verch/Flickr

Conhecido como "Black Friday chinesa", o Dia dos Solteiros arrecada dezenas de bilhões de dólares todos os anos. Em 2020, porém, a data virou um frenesi. O Alibaba disse na quinta-feira (12) que arrecadou 498,2 bilhões de yuans (cerca de US$ 75 bilhões ou R$ 413 bilhões). O total inclui um período anterior de três dias que foi adicionado para impulsionar as vendas no pós-pandemia. Em comparação com o mesmo período do ano passado, o faturamento deste ano representa um aumento de 26%, segundo a empresa.

"A economia da China teve uma forte recuperação e os comportamentos de compra dos consumidores chineses já retornaram aos níveis pré-pandêmicos, se não estiverem até mais altos", diz Xiaofeng Wang, analista da empresa de pesquisa de mercado Forrester.

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De fato, uma pesquisa da empresa de pesquisa de mercado Oliver Wyman mostrou que 86% dos consumidores chineses estavam dispostos a gastar o mesmo ou mais do que gastaram no Dia dos Solteiros do ano passado. Os compradores chineses "continuam gastando como loucos", diz o sócio da Oliver Wyman, Jacques Penhirin, que liderou a pesquisa.

Já os 14% restantes disseram que gastariam menos no Dia dos Solteiros, porque a pandemia trouxe muita incerteza para eles. Ainda assim, previam gastar.

Penhirin afirma que os consumidores usaram a data como uma oportunidade de autoindulgência. Por exemplo, um cliente que costuma comprar maquiagem Maybelline pode gastar um pouco mais para comprar itens em liquidação da Yves Saint Laurent. "Agora é hora de ser indulgente."

Vendas do tamanho da China

O Dia dos Solteiros costuma vender mais do que a Black Friday e a Cyber ??Monday juntas. O evento — também conhecido como Double 11 — está relacionado ao feriado informal anti-Dia dos Namorados na China, que celebra as pessoas que não estão em relacionamentos. Acontece no dia 11 de novembro, data que foi escolhida porque são quatro "uns" (11/11) ou solteiros.

O Alibaba começou a oferecer descontos no Dia dos Solteiros em 2009 e, desde então, transformou o evento em uma bonança de compras online.

Outras plataformas de e-commerce chinesas como JD.com, Pinduoduo e Red, bem como lojas físicas, também participam.

O evento do rival JD.com dura quase duas semanas. A JD disse na quinta-feira que também estabeleceu um novo recorde de vendas de 271,5 bilhões de yuans (US$ 41 bilhões ou R$ 225,5 milhões), um crescimento de 33% em relação ao ano passado.

Wang diz que os bens de luxo devem ter se destacado neste ano, porque os chineses costumam comprá-los durante viagens ao exterior. “Mas com a restrição a viagens internacionais, os consumidores passam a fazer essas compras internamente e principalmente online”, disse ela. "É até por isso que, pela primeira vez, as marcas de luxo estão fortemente envolvidas no Dia dos Solteiros."

Embora as marcas estrangeiras continuam dominando categorias populares do Dia dos Solteiros, como cosméticos, um número crescente de chineses comprou marcas locais de eletrônicos e smartphones este ano. "Não é patriotismo... é apenas a tecnologia, o design e a qualidade que são melhores, portanto, há apenas mais confiança" nas marcas chinesas, disse Penhirin.

Outra razão pela qual os chineses estão comprando local é porque alguns continuam preocupados com os custos pós-pandemia, de acordo com analistas da consultoria Bain & Company.

Os compradores, por exemplo, podem ver o iPhone da Apple como muito caro e, em vez disso, comprar dispositivos um pouco mais baratos da Huawei ou da Xiaomi que eles acreditam serem comparáveis ??em design e tecnologia.

IPO do Ant Group

Houve uma sombra adicional sobre o evento para o Alibaba e seu fundador bilionário Jack Ma. Na semana passada, os reguladores chineses pisaram no freio na altamente antecipada IPO do Ant Group, braço financeiro do Alibaba, de última hora.

Os reguladores citaram "questões importantes" que podem fazer com que a Ant "não atenda às condições de listagem ou aos requisitos de divulgação".

Ma criticou publicamente os reguladores chineses por "sufocarem" a inovação, o que observadores da indústria observaram que também pode ter desempenhado um papel na suspensão do IPO.

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