Eleições, vacina: veja quais setores mais subiram no último rali de Wall Street

Das 20 maiores altas do período, cinco são dos setores de hotelaria e turismo, quatro são de petroleiras, cinco são do mercado imobiliário

Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo
12 de novembro de 2020 às 16:47 | Atualizado 12 de novembro de 2020 às 17:03
Bolsa de Nova York
Bolsa de Nova York: os índices da bolsa americana tiveram alta nas últimas semanas
Foto: Reuters

Os últimos dias trouxeram inúmeros motivos para os investidores do mundo comemorarem. Primeiro veio a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais americanas, mas sem amplo domínio do Partido Democrata nos pleitos legislativos, a chamada "Blue Wave" como temia o mercado. 

Depois, as farmacêuticas Pfizer e BioNTech anunciaram que estudos preliminares sugerem que a vacina que estão desenvolvendo pode ter mais de 90% de eficácia contra o novo coronavírus. O avanço foi muito comemorado, já que o mundo aguarda a chegada de uma imunização segura para poder retomar a vida.

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Como resultado disso, bolsas do mundo todo tiveram dias de euforia entre o último pregão de outubro e a última quarta-feira (11), com várias ações avançando dois dígitos no período. Mas o que o mercado estava comemorando exatamente? 

"Uma vacina é mais importante para a economia e os mercados do que as políticas em perspectiva de uma presidência de Biden", escreveram os estrategistas do Goldman Sachs em uma nota aos clientes. "É um evento positivo que permitirá que a sociedade volte gradualmente ao normal em 2021."

Nessa linha, a Avenue Securities levantou, a pedido do CNN Brasil Business, as maiores altas do S&P 500, índice mais amplo de Wall Street, entre os dias 5 e 12 de novembro. Das 20 maiores altas do período, cinco são dos setores de hotelaria e turismo, quatro são de petroleiras, cinco são do mercado imobiliário.

Há ainda uma intrusa, a News Corporation, do setor de comunicação. Essa, no entanto, performou bem por conta de resultados surpreendentemente bons no terceiro trimestre. Confira:

Hotelaria e Turismo

A Wynn Resorts, dona de hotéis e cassinos em Las Vegas e outras localidades, foi uma das maiores altas do período, subindo mais de 27% apenas na segunda-feira. Outra gigante do setor, a Marriott, também avançou bem no período. 

Destaque ainda para Royal Caribbean, Norwegian Cruise Line e Carnival, três empresas especializadas em cruzeiros, que saltaram dois dígitos nos últimos dias. O mesmo aconteceu com uma das líderes do setor de aviação, a Boeing.

Para fechar as altas do segmento, o Expedia Group, dono do site de viagens Trivago, também apareceu na lista. Ou seja, a possibilidade de voltar a viajar anima, e muito, o mercado financeiro.

William Alves, estrategista-chefe da corretora Avenue, explica que o mercado enxerga ainda outro motivo para a subida deste e outros setores "presenciais". "Os investidores estão realizando uma rotação dos seus investimentos", diz.

"Essas empresas caíram 50% ou até mais nesse período de pandemia. Será que não havia um exagero do mercado? Será que alguns desses papéis não valem investimento? Essa rotação de setores também ajuda a explicar o movimento."

Serviços e mercado imobiliário

Não exatamente no setor de Turismo, mas dividindo a mesma linha de raciocínio, as ações da Live Nation, produtora de shows com presença inclusive no Brasil, da Darden Restaurants, dona do Olive Garden, e da Ulta Beauty, rede de salões de beleza, também deram um salto.

O mercado imobiliário, que emplacou os fundos especializados em shopping centers Kimco, Regency Centers e Federal Realty entre as maiores altas no levantamento, experimentou efeito parecido. Boston Properties e SL Green, de escritórios, engrossaram a lista.

Petroleiras

O setor que mais comemorou a virada do mercado, por vários motivos. Além da rotação de setores, já explicada acima, a possibilidade de vacina fez com que os preços do petróleo, que anda sem muita demanda, saltassem nos últimos dias. 

Além disso, o meio ambiente, que é uma das grandes bandeiras de Biden, pode ter menos mudanças que o esperado. Enquanto o democrata busca uma menor exploração de combustíveis fósseis e maior aplicação das energias renováveis, os republicanos tendem a proteger estas indústrias tradicionais.

É verdade que a Sunrun, a maior empresa de energia solar em telhados dos Estados Unidos, viu suas ações crescerem mais de 300% este ano e o ETF Invesco Solar mais do que dobrou em 2020. Mas a realidade daqui para frente promete um equilíbrio entre o velho e o novo.

"Sem o controle das duas casas legislativas, é possível que os democratas não consigam tirar os incentivos da indústria de petróleo. Com isso, as empresas voltadas para energias limpas tendem a não crescer tanto", pondera Alves, da Avenue.

Com isso, a Occidental Petroleum e outras quatro representantes do setor (Valero, Diamondback, Phillips 66) tiveram forte valorização.

Rali até o final do ano?

O Goldman Sachs aumentou sua meta de final de ano do S&P 500 para 3.700 pontos, o que implica em um ganho de 4% em relação aos níveis atuais. Para completar, o banco espera que o índice de referência suba para 4.300 no final do próximo ano e atinja 4.600 no final de 2022.

Alves acha que a tentativa de interferência de Trump no resultado das eleições vai pesar pouco nesse movimento, mas que a Covid-19 pode voltar a fazer estragos no mundo e, consequentemente, no mercado financeiro.

"Parece que o mercado se esqueceu do coronavírus nos últimos tempos. Vai ter vacina, ok, mas quando? Tem uma segunda onda de infecções vindo forte na Europa e nos Estados Unidos." Ao que tudo indica, esse movimento de correção já começou a ocorrer.

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