Eleições municipais podem impactar mercado? Analistas elencam pontos de atenção

Os pleitos de 2020 já influenciaram e podem continuar impactando o ambiente político em Brasília, que tem tudo a ver com a instabilidade do Ibovespa

Matheus Prado, do CNN Brasil Business
15 de novembro de 2020 às 06:00 | Atualizado 16 de novembro de 2020 às 11:39

 

As eleições municipais, embora muito importantes no contexto interno do país e no dia a dia dos habitantes de cada cidade, não costumam ter força para exercer pressão direta sobre o mercado financeiro. Afinal de contas, boa parte das pautas que fazem os gráficos subir e descer ocorrem no âmbito federal.

"Os vencedores não poderão influenciar nenhum dos fatores que são capazes de mover o mercado atualmente, como estudos de vacinas contra o coronavírus, políticas monetária e fiscal, agenda de reformas, extensão do auxílio emergencial...", elenca Paloma Brum, economista da Toro Investimentos.

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Não obstante, os pleitos de 2020 já influenciaram e podem continuar impactando o ambiente político em Brasília, que tem tudo a ver com a instabilidade do Ibovespa depois do ápice da crise.

Chefe da equipe de renda variável da Gauss Capital, Jorge Junqueira lembra, por exemplo, que boa parte das pautas do governo federal citadas acima estão paradas por conta da eleição. "Os deputados ficam mobilizados com o período eleitoral", diz. "Mas também não dá pra falar que elas estariam andando sem isso."

Paloma, da Toro, entende que pelos menos as pautas mais urgentes, como o Orçamento do ano que vem (que normalmente é votado em setembro) e a PEC emergencial que regulamenta o teto de gastos, devem ser retomadas logo após o dia 29, quando todos os prefeitos, menos os do Amapá, estarão eleitos.

"O presidente e os parlamentares não quiseram avançar com as pautas para não causar nenhum tipo de indisposição com o eleitorado", afirma.

Nessa linha, um ponto que chamou atenção nos últimos dias foi a decisão de Bolsonaro de dar apoio a vários candidatos à eleição. O mandatário chegou a dizer que não se envolveria no processo, mas tratou de mostrar santinhos e indicar apadrinhados durante suas lives de quinta-feira.

Segundo Rodrigo Knudsen, gestor da Vitreo, isso também pode ter um peso. "As polêmicas do apoio pontual de Bolsonaro a alguns candidatos podem esquentar ainda mais a questão de governabilidade e a velocidade de aprovação das reformas, tão necessárias para diminuição do atual risco fiscal do país", diz.

Indo um pouco mais além, Betina Roxo, estrategista-chefe da Rico Investimentos, entende que a eleição pode ajudar o mercado, além de aferir o atual capital político do governo, a desenhar algum prognóstico sobre as eleições de 2022.

"A questão fiscal continua sendo o principal tema a ser monitorado no Brasil e as semanas seguintes à eleição municipal serão críticas para reforçar o compromisso com o teto de gastos e a estabilidade da dívida pública. A incerteza fiscal junto à alta da inflação de curto prazo faz com que as ações correntes sejam muito importantes para ancorar as expectativas de mais longo prazo", diz.

No entanto, mantendo o arcabouço fiscal, a Rico tem projeções para 2021 de 3,4% para o crescimento do PIB, 3,6% de inflação e câmbio do dólar em R$ 4,90. Para a corretora, a Selic fica em 2% até meados do ano que vem, e sobe gradualmente até 3% em dezembro.

"Este cenário administrável abre uma janela de oportunidade no primeiro semestre do ano que vem para avançar com a PEC emergencial e outras reformas, o que será crucial para blindar o arcabouço fiscal em 2022, ano eleitoral."

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