Fitch: nota do Brasil permanece em BB-, assim como a perspectiva negativa

A nota da agência faz considerações sobre os ruídos políticos e como eles afetam o debate sobre as reformas e reduzem a previsibilidade das contas públicas

Thais Herédia
Por Thais Herédia, CNN  
18 de novembro de 2020 às 19:45
Moedas de real: situação fiscal do Brasil não anda nada bem 
Foto: Bruno Domingos/Reuters

A agência de classificação de risco Fitch reafirmou a nota do Brasil em BB- e manteve também a perspectiva negativa sobre suas próximas decisões. 

Em comunicado com recados duros sobre a economia brasileira, os analistas da Fitch dizem que a deterioração do déficit fiscal e da dívida pública no Brasil foi “severa” e que há uma “incerteza persistente quanto às perspectivas de consolidação fiscal, incluindo a sustentabilidade do teto de gastos de 2016 dadas as contínuas pressões sobre os gastos”, segundo a Fitch.

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A nota da agência faz considerações sobre os ruídos políticos e como eles afetam o debate sobre as reformas e reduzem a previsibilidade das contas públicas.  

“Embora a equipe econômica esteja comprometida em retornar à sua agenda de reformas em 2021, o ambiente político permanece fluido, reduzindo a visibilidade e previsibilidade do processo”, diz o comunicado divulgado na noite desta quarta-feira. 

Nem o atual nível da taxa de juros básica da economia, atualmente em 2% ao ano, aliviam as condições financeiras do país, na avaliação dos analistas da Fitch. 

"O atual ambiente de juros baixos sustenta a acessibilidade da dívida, mas não é uma panaceia para as fragilidades fiscais subjacentes."

Sobre a manutenção da nota de risco em BB-, os analistas explicam que ela é sustentada pelo tamanho e diversificação da economia brasileira e sua capacidade de absorver choques externos, ajudada pelo câmbio flexível adotado aqui. A previsão da agência é de retomada do crescimento no ano que vem, mas também faz ressalvas. 

“A Fitch espera que a economia se recupere a partir de 2021; no entanto, a incerteza em torno dos desenvolvimentos políticos e de políticas públicas, combinada com um ressurgimento de infecções globais por coronavírus, continua a obscurecer o panorama.”

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