Resgate econômico mundial está em US$ 19,5 trilhões – e vai subir

Os governos anunciaram quase US$ 12 trilhões em estímulo desde setembro e os bancos centrais contribuíram com outros US$ 7,5 trilhões, de acordo com o FMI

Hanna Ziady, do CNN Business, em Londres
18 de novembro de 2020 às 16:19 | Atualizado 19 de novembro de 2020 às 09:13

 

 Governos e bancos centrais prometeram desembolsar US$ 19,5 trilhões desde o surgimento do coronavírus, para "colocar um piso sob a economia mundial", de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Alguns países precisam de ainda mais ajuda para se recuperar da crise, mas podem não conseguir.

Os governos anunciaram quase US$ 12 trilhões em medidas de estímulo a partir de setembro e os bancos centrais contribuíram com pelo menos US$ 7,5 trilhões para amenizar o impacto da pandemia em suas economias, de acordo com o relatório anual do FMI divulgado na segunda-feira (16).

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No entanto, apesar da escala e velocidade sem precedentes do resgate, que cortou impostos, pagou salários, concedeu empréstimos a pequenas empresas e levou as taxas de juros a níveis recordes, a economia global está sofrendo a pior recessão desde a Grande Depressão.

A atividade econômica e o emprego em grandes partes do mundo, inclusive nos Estados Unidos e na Europa, permanecem bem abaixo dos níveis observados antes da pandemia.

Embora as candidatas a vacinas contra o coronavírus apontem para melhores perspectivas para a economia global no próximo ano, elas não ajudarão muito os países no futuro imediato. Além disso, os obstáculos para a obtenção de apoio financeiro adicional podem prejudicar uma recuperação já fragilizada.

"Os países agora enfrentam uma longa ascensão que será difícil, desigual, incerta e sujeita a contratempos", disse a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva.

Nos Estados Unidos, onde o número de casos de coronavírus está explodindo, a recusa do presidente Donald Trump em admitir a derrota para Joe Biden pode atrasar os esforços para se chegar a um acordo sobre outro grande pacote de estímulo.

O país ainda tem déficit de cerca de 10 milhões de empregos em relação ao período antes do início da pandemia, e vários estados estão agora impondo novas restrições para conter o aumento de casos, o que pesará ainda mais sobre a recuperação.

Enquanto isso, a União Europeia está enfrentando uma revolta interna que pode atrasar a aprovação final de seu fundo de recuperação do coronavírus de 800 bilhões de euros (US$ 950 bilhões), que levou meses para ser negociado e deve ser lançado em 1º de janeiro.

Na segunda-feira (16), a Hungria e a Polônia agiram para bloquear o pacote devido às tentativas de vincular sua distribuição ao respeito ao Estado de Direito, lançando dúvidas sobre se os fundos tão necessários chegarão às economias mais afetadas da UE, incluindo Itália, Espanha e Grécia. Os líderes da UE devem discutir o assunto em uma reunião na quinta-feira (19).

Economistas dizem que desacelerar o apoio do governo muito cedo prejudicará a força da recuperação da pandemia. Embora se espere que os bancos centrais liberem ainda mais estímulos para tentar aquecer suas economias, eles carecem de um canal estabelecido para enviar dinheiro diretamente para as famílias.

Retirar o apoio fiscal prematuramente é "o maior risco" que as economias enfrentam no curto prazo, de acordo com Neal Shearing, economista-chefe na Capital Economics. "Seria um erro autodestrutivo", afirmou em nota na terça-feira (17).

Isso porque um longo período de fraca demanda, que o estímulo fiscal de larga escala mitigou, representa a maior ameaça ao crescimento econômico, acrescentou.

*James Frater contribuiu para esta reportagem.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês)

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