Ação do Carrefour inverte sinal e sobe após morte de homem negro em supermercado


Matheus Prado, do CNN Brasil Business
20 de novembro de 2020 às 11:11 | Atualizado 20 de novembro de 2020 às 18:28
Cena de espancamento em unidade do Carrefour em Porto AlegreA cena, em que dois homens brancos agridem a vítima, foi filmada e está circulando nas redes sociais
Foto: Reprodução / Redes sociais

A morte de João Alberto Silveira, homem negro de 40 anos, na loja do Carrefour em Porto Alegre na noite de quinta-feira (19), rodou a internet e chocou milhares de internautas.

Mas e o mercado financeiro, como reagiu? As ações da varejista (siga a cotação: CRFB3) caíam 2% por volta das 12h30. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 0,15%.

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No entanto, após às 14h, o sinal se inverteu. Enquanto o Ibovespa estava operando ainda em ligeira de queda de 0,6% às 14h18, o Carrefour passou a subir 0,4%. 

Pedro Galdi, analista da Mirae, afirmou ao CNN Brasil Business antes da abertura do mercado que esperava que "o crime fosse motivo de ruído, já que, além de tudo, veio a público no dia Consciência Negra". Apesar disso, disse não acreditar que o caso pudesse ter impacto duradouro nos preços das ações. 

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Essa foi a mesma opinião de Henrique Esteter, analista da Guide. Ele fez questão de ressaltar o quão lamentável foi o caso, desencadeando uma repercussão extremamente negativa em termos sociais. No entanto, os investidores não atrelariam o caso aos resultados financeiros da empresa.  

"O próprio Carrefour já anunciou que vai desfazer o contrato com a prestadora de serviços de segurança e que manterá a loja fechada em respeito à vítima", diz. "É claro que é que um noticiário bem negativo e pode trazer revolta no curto prazo, mas, por ser responsabilidade de outra empresa, fica difícil fazer essa conexão."

Há histórico de outros problemas graves dentro de lojas da marca. Em 28 de novembro de 2018, um cachorro foi morto em unidade de Osasco, em São Paulo, após ser agredido com uma barra de metal por um segurança do hipermercado.

Alguns clientes, inclusive, já iniciaram os primeiros protestos e boicotes nas redes sociais.

Já em 19 de agosto de 2020, um colaborador morreu dentro do supermercado no Recife em horário comercial. O corpo foi coberto por guarda-sóis e o local continou funcionando.

Carrefour lamenta ocorrido

Em nota, o Carrefour disse que "lamenta profundamente o caso" e que "adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso".

A empresa informou ainda que vai romper o contrato com a companhia responsável pelos seguranças que cometeram a agressão e demitirá o funcionário que estava no comando da loja no momento do crime. A loja vai permanecer fechada nesta sexta.

"Ao tomar conhecimento deste inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabíveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente", diz o comunicado do Carrefour. "Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam."

Incidente ainda não esclarecido

De acordo com a Polícia Civil, houve um incidente ainda não esclarecido dentro do supermercado. O cliente, então, foi conduzido por dois seguranças até o estacionamento e, após passar pela porta do local, a polícia disse que ele teria dado soco em um dos vigias, o que iniciou os ataques violentos contra ele.

Uma mulher que seria funcionária do supermercado tentou coagir o indivíduo que estava gravando as imagens das agressões, dizendo que o prejudicaria se ele continuasse com as gravações. Segundo ela, o cliente agrediu uma pessoa dentro da loja. 

A vítima chegou a ser atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas acabou morrendo. De acordo com a delegada Roberta Bertoldo, do 2º Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de Porto Alegre, suspeita-se que o homem tenha sofrido um ataque cardíaco por conta das agressões sofridas e por ter sido pressionado no chão por um certo tempo.

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