Os planos da Arezzo no pós-pandemia: Reserva, marketplace e brechó de luxo

Arezzo parte para as compras e segue caminho para ser um conglomerado de marcas premium. A empresa quer fincar de vez o seu pé na internet

André Jankavski, do CNN Brasil Business, em São Paulo
20 de novembro de 2020 às 12:16 | Atualizado 20 de novembro de 2020 às 20:41
Alexandre Birman, CEO da Arezzo & Co: o foco está totalmente nas classes A e B
Foto: Arezzo/Divulgação 

O último mês da varejista Arezzo&Co (ARZZ3) foi, para dizer o mínimo, movimentado. Em menos de 30 dias, a companhia anunciou a compra da grife Reserva, focada principalmente em moda masculina, lançou um chinelo de borracha (para competir com a Havaianas), divulgou os resultados do terceiro trimestre e, na quinta-feira (19), colocou no ar o marketplace ZZ Mall (que terá a atriz Marina Ruy Barbosa como diretora de moda da plataforma).

Não acabou. Nesta sexta-feira (20), a Arezzo anunciou a compra de 75% do brechó online de luxo Troc. O valor da transação foi mantido em sigilo. O negócio marca a entrada da empresa no mercado de segunda-mão (que, sim, também atrai os mais endinheirados). A Arezzo estima que esse mercado chegará a R$ 31 bilhões até 2029.

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A expectativa é que essas iniciativas se transformem em receita. No primeiro trimestre a empresa faturou apenas R$ 55 milhões nas vendas online e esse valor quase triplicou de julho a setembro para R$ 155,4 milhões.

Mas a estratégia de marketplace não é exatamente nova. Muito pelo contrário. Varejistas como C&A (CEAB3), Hering (HGTX3) e Riachuelo (GUAR3), Marisa (AMAR3) e Lojas Renner (LREN3) já tinham colocado em prática o plano há algum tempo. Então, como a Arezzo quer se diferenciar das concorrentes?

“Todas essas empresas que você citou são de lojas de departamento. Nós estamos totalmente focados nas classes A e B e fazemos todo um trabalho de curadoria de imagem”, afirma Birman em entrevista ao CNN Business. É bom lembrar que as margens de lucro das empresas que atendem este tipo de consumidor também são maiores. 

Esse trabalho de virar um conglomerado com forte presença no digital começou antes mesmo da pandemia, mas foi acelerado com o decreto de quarentena em todo o Brasil.

Parceria com a Reserva

Birman e Rony Meisler, da Reserva, são conhecidos de longa data. Mas neste ano, a amizade se transformou em negócio. Nas datas de dia dos pais e das mães, Reserva e Arezzo já tinham feito parcerias para que os clientes de uma marca comprassem na outra.

Então, no mês passado, a parceria virou casamento por R$ 715 milhões. A operação, inclusive, já foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Meisler continua como líder da AR&Co, que vai funcionar como uma plataforma de lifestyle que deve comprar outras marcas.

O momento é propenso para isso. Primeiro porque muitas marcas estão em situação complicada com a pandemia. Aquelas empresas que não estavam organizadas financeiramente sofreram (o que pode diminuir os valores de eventuais aquisições). Sobre este fato, Birman acredita que a empresa não está sendo “oportunista”. Mas vamos combinar que isso faz parte do mercado.

O outro motivo é a alta do dólar. Se antes, os integrantes das classes A e B iam para Miami, Paris ou Milão atrás de roupas de grife, o real desvalorizado encarece as viagens. O jeito é comprar aqui mesmo: e é exatamente isso o que a Arezzo quer. Em entrevista ao CNN Business em julho, Meisler já admitia que esse era o plano da Reserva.

LVMH brasileira?

Poderia surgir, portanto, uma LVMH brasileira? O conglomerado comandado por Bernard Arnault, que tem grifes poderosas como Louis Vuitton, Fendi, Givenchy e Veuve Clicquot, virou o maior símbolo de sucesso das empresas de luxo. Afinal, não é só a empresa com as marcas mais poderosas, como é muito lucrativa. Arnault, inclusive, está entre os cinco homens mais ricos do mundo.

Esse movimento tentou ser feito nesta década por empresas como a Restoque (dona de marcas como Le Lis Blanc e Dudalina) e a InBrands (responsável por marcas como Ellus e Richards).

Porém, as companhas não passam pelos melhores momentos de suas histórias. No final de setembro, por exemplo, a Restoque saiu do processo de recuperação extrajudicial. Neste ano, se falou muito de um processo de recuperação judicial da InBrands, mas ele não aconteceu.

Por que com a Arezzo será diferente? Na visão de Birman, o histórico no mercado de ações brasileiro e a solidez financeira da companhia trazem essa certeza.

“Temos 48 anos de empresa e são 10 de capital aberto. Tivemos a capacidade de multiplicar a empresa nesse período e temos uma sólida governança”, diz o executivo.

Os analistas Luiz Guanais e Gabriel Savi, do BTG Pactual, concordam com a visão de Birman. Segundo eles, há anos, a Arezzo é vista como uma companhia voltada para os consumidores mais abastados e com uma execução superior ao restante do mercado – o que justifica o seu valor de mercado atual.

A internet, portanto, será um caminho para solidificar as marcas da empresa. Somente nos últimos 30 dias, a Arezzo disparou 25% na bolsa e inclusive ultrapassou o valor de mercado visto antes da pandemia.

Hoje, a companhia vale R$ 6,3 bilhões. O BTG enxerga que há espaço para uma valorização de 15,6% e recomenda a compra da ação. Parece que os papéis da Arezzo estão na moda.

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