Paulo Guedes: depois das eleições, voltamos a falar sobre novo imposto

A intenção é taxar apenas quem usa meios de transações digitais, que incluem o sistema instantâneo de pagamentos, o Pix. As taxas deverão ser de 0,15% a 0,2%

Eduardo Laguna e Idiana Tomazelli, do Estadão Conteúdo
20 de novembro de 2020 às 08:48 | Atualizado 20 de novembro de 2020 às 16:54

Ministro da Economia, Paulo Guedes, durante palestra no Distrito Federal

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil (12.fev.2020)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira (19) que deixou de falar sobre a ideia de criação de um imposto sobre transações eletrônicas por preocupação de o assunto ser explorado politicamente nas eleições municipais. Porém, ele disse que pretende votar à carga na proposta assim que as eleições chegarem ao fim.

"Não estamos falando porque as eleições estão chegando. As pessoas têm preocupação de o tema ser explorado nas eleições, de falarem ah, o ministro Paulo Guedes quer um imposto sobre transações financeiras, quer a CPMF...", afirmou o ministro numa apresentação em fórum do Bradesco BBI. "Então, não vamos falar sobre isso. Após as eleições, falamos novamente", complementou.

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Guedes disse que não vai desistir da ideia porque, num país com 40 milhões de pessoas sem emprego, a proposta permitirá desonerar a folha salarial das empresas.

A polêmica em torno da criação de um imposto sobre transações eletrônicas, considerada uma reedição da CPMF, é um nó na reforma tributária. O ministro frisou hoje que não quer uma reforma tributária de qualquer jeito.

Ele considerou, contudo, que o governo está mais perto de um acordo em relação à reforma dos impostos. Mesmo assim, avaliou que apenas por um milagre a reforma tributária irá deslanchar neste ano. "Milagres acontecem", ponderou, numa tentativa de deixar a possibilidade em aberto.

Segundo Guedes, a intenção é taxar apenas quem usa os meios de transações digitais, que agora incluem o sistema instantâneo de pagamentos, o Pix. As taxas serão, no entanto, baixas, variando entre 0,15% e 0,2%.

O ministro reiterou ainda que o governo não vai subir a carga tributária, e sim desonerar as empresas, cobrando, por exemplo, taxas de imposto menores para aquelas que reinvestem o lucro.

"Não vamos subir impostos. Se um imposto for criado, será porque destruímos outros oito, nove ou dez", salientou o comandante da equipe econômica.

 

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