Ibovespa fecha em alta com avanços de vacinas; dólar sobe e vai a R$ 5,43

Também há expectativa dos investidores domésticos pela participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, em três eventos diferentes durante o dia

Matheus Prado e Leonardo Guimarães do CNN Brasil Business, em São Paulo
23 de novembro de 2020 às 09:14 | Atualizado 23 de novembro de 2020 às 18:38
Frasco de potencial vacina contra Covid-19
Foto: Dado Ruvic/Reuters (3.nov.2020)

A divulgação de resultados positivos em relação à vacina de AstraZeneca e Oxford contra a Covid-19 voltou a deixar os investidores animados nesta segunda-feira (23).

Também pesava positivamente a indicação de que a vacinação em massa pode começar nos Estados Unidos ainda em dezembro, dando perspectivas para uma eventual volta à "normalidade". 

Por aqui, o governo do estado de São Paulo anunciou que os resultados de eficácia da Coronavac saem no início de dezembro. 

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Com isso, o Ibovespa fechou o pregão de hoje em alta de 1,26% para 107.378,92 pontos.

O índice foi puxado pela forte alta da Petrobras. As ações preferenciais da companhia (PETR4) subiram 6,13% em meio a alta de preços do petróleo e otimismo com as vacinas. As ordinárias (PETR3) avançaram 4,86%.

As ações da CSN (CSNA3) subiram 6,8% depois que a empresa religou o alto-forno de Volta Redonda para atender a alta demanda do mercado por ferro gusa.

A maior alta do dia foi da PetroRio (PRIO3), que teve valorização de 7,64%.

Empresas do setor de turismo, como Azul (AZUL4), Gol (GOLL4) e CVC (CVCB3) tiveram um bom desempenho e avançaram pelo menos 1,8%.

"Os ativos de risco estão abrindo a semana em tom mais positivo, na esteira da possibilidade de que uma vacinação em massa para combater a pandemia possa ter início já em dezembro", observou Dan Kawa, da TAG Investimentos.

O Carrefour (CRFB3), por outro lado, sofreu com as repercussões da morte de João Alberto Silveira Freitas por seguranças de loja em Porto Alegre e recuou mais de 5,35%, o pior desempenho da bolsa.

Acompanhando o concorrente, os papéis do GPA (PCAR3) tiveram a segunda maior queda do dia, com recuo de 3,97%.

Já o dólar reverteu a queda contra o real nesta segunda-feira, com desconforto sobre a situação fiscal do Brasil pesando apesar de esperanças em relação ao desenvolvimento de uma vacina para a Covid-19.

Já o dólar voltou a fechar em firme alta ante o real numa segunda-feira marcada por força global da divisa norte-americana após dados robustos de atividade nos Estados Unidos, enquanto o desconforto doméstico sobre a situação fiscal segue fazendo preço. 

O dólar à vista subiu 0,90%, a R$ 5,4353 na venda, depois de oscilar entre R$ 5,3395 (-0,88%) e R$ 5,4513 (+1,19%).

Na sexta-feira, o dólar havia saltado 1,39%, maior alta desde 28 de outubro.

"O mercado está bastante desconfortável com o andamento das discussões sobre o fiscal, muito por conta das incertezas do próprio governo, que não define medidas concretas que devem ser tomadas", disse à Reuters Thomás Gibertoni, especialista da Portofino Multi Family Office.

"Já passamos do primeiro turno das eleições (municipais), então esperava-se aceleração das discussões no Congresso. Isso deve seguir até que o governo paute prioridades."

Lá fora

Os mercados de ações dos Estados Unidos fecharam em alta ao fim da volátil sessão desta segunda-feira, uma vez que esperanças de uma vacina para a Covid-19 impulsionaram setores economicamente sensíveis, como energia e industrial, mas uma retração nas ações de megacap restringiu os ganhos no S&P 500 e no Nasdaq.

Setores cíclicos lideraram os ganhos, com energia bem à frente, am alta de 6%, enquanto os índices para os segmentos industrial e financeiro subiram mais de 1% cada, após dados mostrarem que a atividade empresarial expandiu-se no ritmo mais rápido em mais de cinco anos.

O Dow Jones subiu 1,12%, o S&P 500 ganhou 0,56% e o Nasdaq Composite fechou o pregão sem variações.

As principais bolsas da Ásia e do Pacífico terminaram a sessão em alta, à medida que cresce no mercado o otimismo quanto à possibilidade de uma vacina em breve contra a Covid-19. A liquidez, contudo, foi restrita, por causa do feriado do Dia de Ação de Graças ao Trabalho no Japão, que fechou a Bolsa de Tóquio, mais importante mercado da região.

O mercado asiático ecoa o relativo otimismo visto desde a sexta-feira, quando a Pfizer e a BioNTech entraram com pedido de uso emergencial do imunizante junto à americana FDA (equivalente à brasileira Anvisa). A notícia animou as bolsas da Europa naquela sessão e conteve as baixas em Wall Street, onde algumas dúvidas sobre a continuidade de estímulos alimentou a realização de lucros.

Ao longo do fim de semana, o noticiário sobre a vacina ganhou ainda mais tração. O chefe da Operação Warp Speed, Moncef Slaoui, que coordena os esforços dos EUA em torno de uma vacina contra a covid-19, afirmou que as primeiras doses podem ser aplicadas no país a partir de 12 de dezembro.

E, na manhã desta segunda-feira, após o fechamento da maioria das bolsas asiáticas, a AstraZeneca informou que sua vacina contra a covid-19 apresentou, em média, 70% de eficácia e, em alguns casos, de 90%.

Na Bolsa de Seul, o índice Kospi teve salto de 1,92%, aos 2.602,59 pontos. Destaque para ações de farmacêuticas, ajudadas por parcerias com o governo local para conter o avanço da covid-19 e desenvolver uma vacina. O papel da Jeil Pharmaceutical saltou 19,44%.

Na China, a Bolsa de Xangai subiu aos 3.414,49 pontos (+1,09%) e a de Shenzhen foi a 2.409,18 pontos (+0,54%). A Bolsa de Hong Kong terminou em 26.486,20 pontos (+0,13%).

No Pacífico, a Bolsa de Sydney avançou aos 6.561,60 pontos (+0,34%) e a de Wellington saltou a 12.501,74 pontos (+0,48%).

Reverberando as expectativas positivas, as bolsas europeias também mostravam leve avanço no primeiro pregão da semana. Às 8h50, o índice pan-europeu Stoxx-600 avançava 0,14%. Em Londres, a alta era de 0,18%; Paris subia 0,41%; Frankfurt tinha ganhos de 0,52%; e Madrid se valorizava 0,6%.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)

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