Nunca faltou tanta cerveja nos supermercados brasileiros como agora

Pesquisa realizada pela Neogrid acompanha dados de 40 mil varejistas e a explicação para ruptura está na confecção de materiais para embalagem

Anna Gabriela Costa, colaboração para CNN Brasil Business, em São Paulo
23 de novembro de 2020 às 18:34 | Atualizado 24 de novembro de 2020 às 12:28


Notícia preocupante para muitos brasileiros: o nível de ruptura da cerveja, que é o índice que demonstra a falta de produtos em supermercados brasileiros, atingiu nível recorde em outubro deste ano. É o que apontam dados da pesquisa conduzida pelo Neogrid. A principal bebida alcoólica do Brasil alcançou 18,92% em ruptura. Enquanto em 2019, este número mantinha-se na média de 10%. 

Especializada na sincronização da cadeia de suprimentos, a empresa que conduziu o estudo diz que os consumidores já sentem a ausência de algumas marcas nas prateleiras.

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Garrafa de Cerveja
Foto: Eeshan Garg/Unplash

“Todas as cervejarias apresentam falta de produtos no varejo e o nível de ruptura da cerveja nunca foi tão alto como hoje”, afirma Robson Munhoz, CCO da Neogrid.

A ruptura, segundo Munhoz, acontece quando há falta do produto no ponto de venda. "Quando a gente diz que um determinado produto tem 10% de ruptura, quer dizer que em uma lista de 100 produtos que você queria comprar, você não encontrará 10 deles", explica o executivo. 

Isso, de acordo com ele, não quer dizer que a percepção da falta é generalizada. Ou seja, muitas vezes, você vai comprar o produto de uma marca em específico e não encontra. Neste caso, ocorre a ruptura por marca. 

O índice só subiu desde o início da quarentena, em março, última vez que esta marca esteve em torno dos 10% para cervejas. De acordo com a pesquisa, nos últimos meses foram registrados 17,64% de ruptura em setembro e 18,92% em outubro. O monitoramento acompanha os dados de 40 mil varejistas no Brasil. 

A explicação para o recorde em falta de cerveja nos supermercados está na cadeia produtiva, mais especificamente no fornecimento de vidro e lata para a confecção das embalagens. 

"Não estamos falando em desabastecimento. Há falta de algumas marcas. Se falta embalagem não tem como produzir e vender cerveja no mercado”, explica Munhoz.

“É importante que a indústria e o varejo estejam compartilhando informações para que os desafios não sejam ainda maiores na cadeia de abastecimento. Senão ninguém ganha o jogo”, alerta o executivo.   

De acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas), antes da pandemia, as latas de alumínio representavam pouco mais de 50% do armazenamento total das cervejas brasileiras. No final de 2020, este percentual deve se aproximar de 70%, mostrando que a cerveja se consolidou ainda mais nas latinhas.

"Esta demanda por bebidas em latas de alumínio já era crescente, mas foi fortemente acelerada em 2020, resultando em investimentos relevantes do setor para ampliação do parque industrial, em montante que já se aproxima de R$1 bilhão. Duas novas fábricas e a expansão de linhas de produção já existentes foram a forma que os produtores de latinhas encontraram para poderem crescer", afirma em nota a Abralatas. "As fábricas estão operando 24h por dia e sete dias por semana para cumprirem com todos os contratos firmados com os clientes e mantendo os protocolos sanitários no mais alto padrão."

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