SoftBank investirá em ao menos 4 empresas da América Latina até o 1º tri de 2021

A MadeiraMadeira, e-commerce de móveis e decoração, aparece com uma das favoritas para receber um novo aporte, na ordem de US$ 120 milhões

Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo
25 de novembro de 2020 às 05:00 | Atualizado 25 de novembro de 2020 às 07:21

O SoftBank pode até estar com US$ 80 bilhões em caixa "à espera de um desastre" como noticiado pelo CNN Business, mas o balanço da gestora de investimentos no terceiro trimestre mostra que os resultados estão muito bem, obrigado. O grupo apresentou resultado positivo de US$ 6,07 bilhões no período, revertendo prejuízo também bilionário de um ano antes.

"Tem um aspecto defensivo na postura do grupo, sem dúvida. Mas tem também um olhar para o futuro", diz Paulo Passoni, sócio do SoftBank na América Latina, em entrevista ao CNN Brasil Business. "Havia empresas mais tradicionais dentro do portfólio, principalmente de telecomunicações, que ainda têm upside [potencial de alta], mas não no longo prazo."

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A ideia é seguir cada vez mais uma vocação já existente na companhia: buscar negócios com DNA digital, o que fez com que algumas companhias perdessem espaço. "O futuro está indo para big data, para inteligência artificial, para empresas que usam esse tipo de ferramenta para criar novos negócios", diz.

Nessa linha, o grupo resolveu desembolsar os US$ 3 bilhões disponíveis (outros US$ 2 bilhões já foram alocados) para investimento do seu fundo latino-americano. Passoni conta que os recursos devem ser divididos pela metade entre empresas do portfólio e novas empreitadas, com prazo de dois a três anos para conclusão do processo.

Poucos dias depois do anúncio da nova injeção de recursos no mercado latino (o Brasil responde por 70% do fundo voltado ao continente), a MadeiraMadeira, e-commerce de móveis e decoração, já aparece com uma das favoritas para receber um novo aporte, na ordem de US$ 120 milhões. 

"A empresa vem crescendo muito e a Covid-19 acelerou seus resultados brutalmente", diz o gestor sem confirmar o desfecho da negociação. "Tem um potencial enorme. Tem todas as condições, qualidades para receber aporte nosso e de outros investidores." 

Caso o processo se confirme, a startup paranaense pode se tornar um unicórnio. Além disso, será umas das quatro ou cinco empresas com capital do Softbank a receber aportes até o primeiro trimestre de 2021, segundo Paulo. "Estamos próximos de fechar novas rodadas de investimento", diz. 

No terceiro trimestre, quatro companhias da América Latina ajudaram a rechear o resultado (para lá de positivo) do SoftBank. A brasileira VTEX, a colombiana Rappi e a mexicana Kavak, que receberam rodadas de investimento mas mantêm o capital fechado, além do banco brasileiro Inter, que tem ações negociadas na B3.

Setores

Apesar da vocação tecnológica e de, teoricamente, não priorizar investimentos temáticos, o SoftBank vem mapeando setorialmente o ambiente de negócios no Brasil. São 25 funcionários dedicados à pesquisa e avaliação de empresas, além de outros 15 responsáveis pela interface com empresas parceiras.

"Já revisamos 900 oportunidades e realizamos 24 investimentos", diz Passoni. "Vejo o setor de educação online avançando. Saúde também começa a ter modelos de negócios interessantes, mas acho que ainda precisa esperar um pouco para ver a evolução das empresas. É o mesmo caso do setor de software, que tem empresas eficientes que não demandam tanto capital."

Retomada

O gestor afirma que a disrupção de mercados é mais importante para o SoftBank do que o atual estado da economia, mas elencou alguns pontos de atenção. Para ele, os grandes impactos são a volatilidade do câmbio e como a questão fiscal vai evoluir, já que isso é essencial para determinar o valor futuro da moeda e das empresas.

"As companhias já listadas no portfólio são influenciadas pela flutuação do mercado, mas isso é ruído, não é fundamento. Não estou muito preocupado com a empresa no curto prazo, e sim com o que ela está fazendo e para onde vai daqui a cinco, dez anos."

Dessa forma, acredita que o melhor caminho para que os negócios cresçam é se cercando de talentos. "Conseguindo trazer pessoas capacitadas para sua companhia, você consegue melhorar sua execução. Não importa se é momento de exuberância ou de dificuldade", afirma.

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