Rotativo do cartão de crédito volta a subir em outubro para 317,5% ao ano

Apesar do recuo da inadimplência no Brasil de 3,2% para 3,1% em outubro, a taxa média de juros subiu 0,6 ponto percentual para 18,7%

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
27 de novembro de 2020 às 11:32
cartão de crédito
Pilha de cartões de crédito
Foto: Jack Moreh/Freerange Stock


Apesar do recuo da inadimplência no Brasil de 3,2% para 3,1% em outubro, a taxa média de juros subiu 0,6 ponto percentual para 18,7%. Nos recursos livres para pessoas físicas a taxa avançou 0,9 ponto percentual, para 38,9% ao ano. Já para as empresas, a taxa média da categoria cresceu 0,5 p.p, para 12% ao ano. 

Com isso, spread bancário, que é a diferença entre o custo do dinheiro que os bancos captam e o que é cobrado do cliente, passou de 21,2 pontos percentuais para 21,5 p.p. Os dados fazem parte da Nota de Crédito do Banco Central, publicada nesta sexta-feira (27), e sinalizam um reaquecimento do consumo em meio a início da retomada econômica. 

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O juro total para o cartão de crédito rotativo avançou de 309,7% ao ano, em setembro, para 317,5% a.a, em outubro. Essa foi a primeira alta após três quedas mensais consecutivas. O valor é equivalente a uma taxa de 12,6% ao mês. 

No rotativo regular, no qual o cliente paga pelo menos 15% da fatura, a taxa de juros saltou de 268,1%, em setembro, para 285,7% em outubro. Para aqueles consumidores que não pagaram nem o mínimo da fatura, a taxa avançou de 336,8% para 339,4%.

Na categoria do parcelado, a taxa do cartão de crédito saltou de 137,8% para 142,1%, também na comparação mensal. 

Taxa do cheque especial recuou

Na modalidade do cheque especial, a taxa de juros caiu para 112,9% ao ano em outubro, ante 114% a.a em setembro. Este ano começou a valer o teto de 8% ao mês, ou 151% ao ano, para operações realizadas por pessoas físicas. 

Já na modalidade do crédito consignado, descontado diretamente da folha de pagamento de aposentados, servidores públicos e/ou trabalhadores do setor privado, a taxa avançou levemente de 18,5% ao ano para 19,2% a.a. Por descontar o pagamento de forma automática, essa modalidade é considerada mais segura pelos bancos, que correm menos risco de não receberem o pagamento. 

O cenário para esses resultados é um momento em que a taxa básica de juros, a Selic, está em sua mínima histórica, em 2% ao ano.

Estoque de crédito

O estoque de crédito do sistema financeiro avançou 1,4% em outubro, ante setembro, alcançando os R$ 3,871 trilhões. Com o mesmo crescimento, o saldo total de crédito livre totalizou R$ 2,225 trilhão em outubro. Já o crédito direcionado subiu 1,3%, para R$ 1,646 trilhão. 

Nos recursos livres, aquele em que as taxas são acertadas entre o cliente e o banco, as concessões tiveram alta de 0,8% no mês de outubro, quando comparadas com setembro. No total, R$ 309,3 bilhões foram liberados para empréstimos. 

Somente para empresas, as concessões de crédito livre somaram R$ 140,6 bilhões, queda de 4,3% ante setembro. Para os consumidores físicos, houve alta de 5,5%, com um total de R$ 168,7 bilhões. 

Por outro lado, enquanto as as concessões totais de crédito recuaram 0,6% na comparação com o mês anterior, com um total de R$ 353 bilhões em outubro, as ofertas de crédito direcionados, que são regulamentados pelo governo, para famílias despencaram 29,9% em outubro.