Bolsa volta aos 115 mil pontos e dólar despenca a R$ 5,04 após decisão do BC

Queda foi puxada por forte ajuste de posições pró-Brasil num contexto de esperanças sobre reformas locais e de mais ingresso de fluxo estrangeiro

Leonardo Guimarães, Manuela Tecchio e Matheus Prado do CNN Brasil Business, em São Paulo
10 de dezembro de 2020 às 09:17 | Atualizado 10 de dezembro de 2020 às 19:36

 

Os agentes do mercado acompanham o otimismo exterior, na manhã desta quinta-feira (10), e repercutem a recente sinalização do Banco Central, de que pode haver um aumento na taxa Selic em breve como forma de conter a inflação.

"A entidade abriu a porta para reajustes na taxa básica de juros no início de 2021, o que vai ao encontro das preocupações dos investidores", diz Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora.

Hoje, o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, relatou progressos nas negociações entre governo e oposição em torno de um novo pacote fiscal para os Estados Unidos, considerado fundamental para apoiar a economia do país, impactada pela segunda onda de covid-19. Ele, contudo, não deu prazo para o desfecho do impasse.

Leia também:
Com Selic em 2%, quanto rende investir R$ 1 mil em poupança, fundos ou títulos?
Inflação tende a ceder em 2021 e BC deve manter juros baixos, dizem analistas

Com isso, o dólar à vista caiu 2,55%, a R$ 5,0417 na venda, menor nível desde 16 de junho (R$ 4,9398) e maior queda percentual diária desde 6 de novembro (-2,80%).

Uma "tempestade perfeita" se abateu sobre o dólar no mercado brasileiro nesta quinta-feira, com a moeda se aproximando do suporte psicológico de R$ 5, puxada por forte ajuste de posições pró-Brasil num contexto de esperanças sobre reformas locais e de mais ingresso de fluxo estrangeiro.

A sinalização do Banco Central de que o ciclo de cortes da Selic caminha para um fim, o salto nos preços das commodities e a confirmação pelo BC de que dará saída parcial ao mercado na esteira do desmonte do overhedge minaram qualquer demanda pela moeda norte-americana nesta sessão.

A cotação oscilou em baixa durante todo o dia, indo de R$ 5,1334 na máxima (-0,78%) a R$ 5,0322 (-2,73%) na mínima.

Diante desse cenário, a bolsa paulista mostrava viés positivo.

Seguindo o otimismo no exterior, o Ibovespa avançou e fechou acima do patamar dos 115 mil pontos. O índice avançou 1,88%, para 115.128,23 pontos. 

Destaque para as ações da CSN (CSNA3), que dispararam 10,50% e lideraram os ganhos de hoje depois que a empresa anunciou que estima fechar o ano com Ebitida (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado de R$ 11,2 bilhões neste ano, com margem de 35%. 

Lá fora

Nos Estados Unidos, os índices fecharam com sinais mistos com esperanças sobre o pacote de estímulos à economia do país. O índice de tecnologia Nasdaq Composite subiu 0,54% para 12.405 pontos, enquanto o Dow Jones caiu 0,23% para 29.999 pontos e o S&P 500 teve queda de 0,13% para 3.668. Mais cedo, porém, as quedas eram mais acentuadas. 

As ações da zona do euro atingiram uma mínima de duas semanas nesta quinta-feira, com os bancos pressionados depois que o Banco Central Europeu projetou recuperação mais lenta no ano que vem mesmo adotando mais medidas de estímulo para sustentar a economia do bloco afetada pela pandemia.

O índice da zona do euro e o alemão DAX chegaram a cair 1% antes de reduzir as perdas e fechar com quedas respectivamente de 0,2% e 0,3%, com as ações de petróleo saltando diante do aumento dos preços do petróleo.

O índice de bancos da zona do euro fechou com baixa de 2,1% apesar de o BCE ter concordado em fornecer aos credores ainda mais liquidez ultrabarata.

O índice FTSEurofirst 300 caiu 0,29%, a 1.521 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 perdeu 0,44%, a 393 pontos.

Já as bolsas da Ásia fecharam majoritariamente em território negativo, com investidores atentos ao avanço da Covid-19 e a seus impactos na atividade. 

Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei terminou em baixa de 0,23%, em 26.756,24 pontos, puxado pelos recuos nas ações de eletrônicos, um dia após o Nikkei atingir nova máxima em 29 anos.

Na China, a Bolsa de Xangai registrou alta de 0,04%, a 3.373,28 pontos, passando ao território positivo nos ajustes finais, em pregão no qual oscilou entre ganhos e perdas. A Bolsa de Shenzhen, de menor abrangência, registrou alta de 0,12%, para 2.358,16 pontos.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng fechou com queda de 0,35%, em 26.410,59 pontos.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)

Clique aqui para acessar a página do CNN Business no Facebook