Vacina é mais barato do que prolongar benefícios emergenciais, diz Campos Neto

Campos Neto diz que investimento no desenvolvimento das vacinas de Covid-19 deve ser mais barato do que prolongar programas de combate aos impactos da pandemia

Anna Russi, da CNN Brasil, em Brasília
15 de dezembro de 2020 às 11:09 | Atualizado 15 de dezembro de 2020 às 12:04
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, avalia que o investimento no desenvolvimento e na logística de distribuição das vacinas de Covid-19 deve ser mais barato do que prolongar programas de combate aos impactos da pandemia, como o auxílio emergencial. 

"Há uma corrida na disputa por vacinas. Quem terá a vacina primeiro e como poderá ser feita a logística. Isso muda todos os dias. Eu acho que o investimento na vacina agora é mais barato do que prolongar transferências diretas. Todos estão concentrados nas vacinas, nós e o mercado também", disse em evento GZERO Latam Forum 2020, promovido pela B3 e pela Eurasia. 

Campos Neto acredita que nos primeiros meses de 2021, a economia pode voltar a sofrer impactos negativos por um retorno do aumento de casos, sinalizando uma segunda onda da pandemia. A alta número de casos exige distanciamento social, desacelerando, assim, a atividade econômica. 

"O mercado estava indo na direção de deixar de falar dos incentivos e falar mais na dinâmica das vacinas. A alta dos casos nas últimas semanas coloca em questão o impacto disso no crescimento do primeiro trimestre”, observou. 

Apesar da posição do governo da não prorrogação dos programas emergenciais para 2021, na última segunda-feira (14), os senadores Alessandro Vieira e Rogério Carvalho apresentaram propostas para que o governo estenda o auxílio emergencial nos primeiros meses do ano que vem. 

Recuperação em V regredindo 

Campos Neto ainda destacou que a retomada da atividade econômica em formato de 'V', em que há uma rápida e forte recuperação, está "perdendo um pouco de ímpeto".  

Por outro lado, ele lembrou que no início da pandemia, as projeções para a recessão de 2020 eram bem mais altas do que agora. A estimativa é de que a economia brasileira caia 4% ou 4,2%. "O programa econômico do Brasil durante a pandemia foi grande e fizemos mais pelos indivíduos e menos para as empresas". 

Na visão dele, os investidores estrangeiros já estão retornando para o Brasil e esse movimento deve continuar nos próximos meses, contanto que o governo passe a mensagem certa na frente fiscal.