Ações da AB InBev podem ser impulsionadas pelas inovações da Ambev

Segundo o HSBC, as novas plataformas digitais B2C e B2B da Ambev podem servir como modelo para as operações do grupo ao redor do mundo

Raphael Coraccini, colaboração para o CNN Brasil Business, em São Paulo
18 de dezembro de 2020 às 05:00 | Atualizado 18 de dezembro de 2020 às 07:44
AB Inbev
Fachada de uma das fábricas da AB Inbev, em Saint Louis, nos EUA
Foto: Divulgação

As plataformas digitais e os investimentos em startups surgem como um alento para os investidores da Anheuser Busch Inbev (AB Inbev), maior cervejaria do mundo. Um relatório do HSBC apontou que as ações da empresa com sede na Bélgica podem se valorizar por conta do sucesso das inovações apresentadas pelo grupo, em especial na operação brasileira, a Ambev (ABEV3).

Segundo o HSBC, as novas plataformas digitais B2C e B2B da Ambev podem servir como modelo para as operações do grupo ao redor do mundo. “O Brasil permanece uma fonte de ideias novas e dinâmicas na execução e na distribuição digital”, avalia o banco.

Mas existe um porém nessa história: o preço alvo determinado pelo HSBC é de 56 euros, 8% a mais do que o anterior, que era de 52 euros. Qual é o porém? As ações da empresa estão valendo mais do que 58 euros. Mesmo assim, o HSBC recomenda manter o papel, ou "segurar", no jargão do mercado. 

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Os programas de inovação aberta da Ambev, a aposta em startups como a Get-in e no aplicativo de entrega Zé Delivery, que oferece soluções para gestão digital de bares e restaurantes, e a iniciativa de financiar o sistema de open delivery da sua rede de distribuição são algumas das boas ideias.  

O relatório do HSBC aponta que os movimentos internos da empresa também dão sinais de que, no segundo semestre do ano que vem, as operações ganharão um novo rumo e a AB Inbev possa recuperar o caminho do crescimento sustentável, depois de muitos anos com desempenho frustrante.

Porém, o que acontece fora do Brasil ainda é uma preocupação, e o cenário para a empresa pode piorar antes de melhorar. A alta alavancagem e a incerteza em torno da sucessão na direção ainda preocupam os investidores.

“No geral, vemos um roteiro difícil à frente para a AB Inbev antes que a recuperação comece para valer”, aponta o relatório.

Ações em queda

A AB Inbev, que é dona de marcas como Brahma e Skol no Brasil, além das reconhecidas globalmente Stella Artois e Budweiser, não performa bem na bolsa neste ano. Até a quarta-feira (16), as ações da empresa perderam 20,75% do valor. Não por acaso, a empresa está atrás de mudanças.

Em setembro, uma reportagem do jornal britânico Financial Times, apontou que a empresa irá trocar de CEO. Carlos Brito, egresso da Ambev e um dos pupilos do bilionário Jorge Paulo Lemann, vai deixar a cadeira.

Se antes a meta era conseguir resultados, principalmente, através do corte de custos, o cenário mudou. O foco no cliente e inovação vêm sendo as receitas da companhia, aceleradas ainda mais com a pandemia do novo coronavírus. 

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