Ibovespa fecha em queda, mas garante 7ª alta semanal consecutiva; dólar sobe

Este movimento refletia o nervosismo dos investidores em relação às tensões entre Estados Unidos e China e à saúde das contas públicas brasileiras

Matheus Prado e Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, de São Paulo*
18 de dezembro de 2020 às 09:21 | Atualizado 18 de dezembro de 2020 às 19:37

 

O dólar fechou em leve alta de 0,12% ante o real nesta sexta-feira. A moeda norte-americana terminou a sexta-feira (18) negociada a R$ 5,0845. A divisa subiu 0,73% na semana que começou com a moeda americana na casa dos R$ 5,04.

Na B3, o Ibovespa virou para queda no final do pregão e fechou o dia com perda de 0,32%, a 118.023 pontos. Mesmo assim, o índice termina a semana com alta de 2,51% na semana. 

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Usiminas (USIM3) subiu 5,4% e a CSN (CSNA3) avançou 3,2%, liderando as altas do Ibovespa. Por outro lado, Gol (GOL4), Weg (WEGE3) e CVC (CVCB3) caíram pelo menos 2,6% e tiveram as maiores quedas no índice.

Os Estados Unidos confirmaram hoje que vão adicionar dezenas de empresas chinesas, incluindo a fabricante de chips SMIC e a fabricante de drones DJI Technolog, à sua lista de entidades. A medida é vista como o mais recente esforço do presidente Donald Trump para cimentar seu legado de uma postura rígida contra a China.

"Em um ano marcado por forte volatilidade nos mercados, o fim de ano traz perspectivas melhores para 2021 e redução de incertezas sobre a pandemia à medida que se inicia o processo de vacinação no mundo", afirmaram estrategistas do Itaú BBA em relatório a clientes nesta sexta-feira (18).

"Olhando para 2021, projetamos um ano com cenário mais benigno. Nossas projeções, apontam para um crescimento do PIB em 4%, dólar caindo para R$ 4,75 ante uma previsão de R$ 5, e teto de gastos sendo cumprido, apesar do cenário desafiador", acrescentou a equipe liderada por Fabio Perina

Equipe de grafistas da Ágora Investimentos observou que o Ibovespa atingiu a região de topo histórico que foi formado no início do ano aos 119.500, "nível onde pode concluir o objetivo da quinta onda impulsiva e iniciar um próximo movimento de realização de lucros".

"Neste caso, o primeiro suporte ficou marcado aos 115.000, sendo este, o melhor ponto para uma reentrada na compra. Do lado superior, a quebra dos 119.500, abriria espaço para o índice retomar o rali de curto prazo, que teria uma próxima projeção apontando para a linha dos 124.000 pontos", acrescentou.

Desde as mínimas do ano em março, o Ibovespa acumula ganho de mais de 90%, mas movimentos de realização de lucros relevantes têm sido bloqueados ou amenizados pelo forte fluxo de capital externo, que no mês já alcança saldo positivo de R$ 9,66 bilhões, de acordo com os dados da B3 até o dia 15.

Lá fora

Os mercados acionários dos Estados Unidos encerraram em queda nesta sexta-feira, pressionados pela incerteza em torno de um acordo de estímulo para enfrentamento ao coronavírus, enquanto as ações da Tesla atingiram uma máxima histórica antes de sua inclusão no S&P 500 na próxima semana.

Todos os três principais índices bateram máximas recordes na abertura, antes de recuarem. O segmento de tecnologia do S&P 500, que liderou os ganhos nesta semana, exerceu a maior pressão negativa sobre o índice.

O Dow Jones recuou 0,41%, aos 30.179 pontos, o S&P 500 perdeu 0,35%, aos 3.709 pontos, e o Nasdaq teve variação negativa de 0,07%, aos 12.755 pontos.

As ações europeias recuaram nesta sexta-feira, já que as dúvidas sobre um acordo comercial pós-Brexit e um pacote de estímulo nos Estados Unidos limitaram os ganhos ao fim de uma sólida semana.

O índice pan-europeu STOXX 600 interrompeu quatro dias de altas ao encerrar em queda de 0,4%, revertendo os ganhos que se seguiram a uma surpreendente melhora no sentimento empresarial alemão em dezembro.

Já os mercados asiáticos da Ásia fecharam na maioria em queda nesta sexta-feira (18). A decisão de política monetária do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) foi monitorada, bem como o noticiário das tensões entre Estados Unidos e China, após Washington restringir negócios com empresas do país, entre elas a fabricante de microchips SMIC.

No Japão, a Bolsa de Tóquio terminou com baixa de 0,16%, em 26.763,39 pontos. O BoJ manteve os juros, mas estendeu seu programa de alívio por seis meses. Presidente do banco central, Haruhiko Kuroda disse em entrevista coletiva que o BoJ conduzirá um ajuste na política, mas sem alterar os juros negativos ou a meta de inflação em 2% e sem qualquer pretensão de apertar a política monetária.

Na China, a Bolsa de Xangai fechou em baixa de 0,29%, em 3.394,90 pontos. Os papéis foram penalizados pelo novo capítulo da investida americana contra o setor de tecnologia do país asiático. A Bolsa de Shenzhen, de menor abrangência, caiu 0,31%, a 2.367,63 pontos.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng terminou em queda de 0,67%, em 26.498,60 pontos. A decisão dos EUA de acrescentar mais 60 instituições da China a uma lista de restrições a exportações influenciou nos negócios. A fabricante de microchips chinesa SMIC, um dos alvos, teve baixa de 5,2%. Papéis dos setores financeiro e de tecnologia em geral pesaram.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi destoou da maioria e fechou em alta de 0,06%, em 2.772,18 pontos, na Bolsa de Seul. Ações de farmacêuticas e concessionárias exibiram ganhos, mas as de transportes marítimos recuaram, com o avanço da covid-19 no país igualmente em foco. Em Taiwan, o índice Taiex terminou em baixa de 0,06%, em 14.249,96 pontos.

Na Oceania, na Bolsa de Sydney o índice S&P/ASX 200 terminou em baixa de 1,20%, em 6.675,50 pontos. Um foco de casos da Covid-19 em Sydney gerou o temor de que a retomada econômica da Austrália possa ser atrapalhada.

(Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo)

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