Bill Gates, Amazon e British Airways apoiam startup de avião a hidrogênio

ZeroAvia anunciou nesta semana que levantou US$ 21,4 milhões de investidores

Por Hanna Ziady , CNN Business
19 de dezembro de 2020 às 05:00
ZeroAvia conclui o primeiro voo de avião de passageiros elétrico a hidrogênio em
ZeroAvia concluiu em setembro o primeiro voo de avião de passageiros elétrico a hidrogênio
Foto: ZeroAvia / Reprodução


 

Londres (CNN Business) – A ZeroAvia, uma startup com sede na Califórnia que promete fazer do voo com zero emissões de carbono uma realidade acaba de receber um grande voto de confiança.

Dedicada ao desenvolvimento de tecnologia de eletricidade por hidrogênio para impulsionar aeronaves, a ZeroAvia anunciou na quarta-feira (15) que levantou US$ 21,4 milhões de investidores, incluindo a Amazon (AMZN), a Shell (RDSB) e a Breakthrough Energy Ventures, uma empresa fundada por Bill Gates em 2015.

A startup, criada há três anos, também garantiu US$ 16,3 milhões do governo do Reino Unido e fez uma parceria com a British Airways para ajudar a companhia aérea a acelerar a mudança de combustíveis fósseis para hidrogênio para abastecer sua frota. No total, a ZeroAvia captou US$ 37,7 milhões em menos de uma semana.

O CEO Val Miftakhov disse em um comunicado que essas “conquistas marcantes estão fechando a lacuna para que a indústria aérea comece sua transição para longe dos combustíveis fósseis”.

“Tanto a aviação quanto os mercados financeiros estão acordando para a ideia de que o hidrogênio é o único caminho significativo para voos comerciais em grande escala e com emissão zero”, acrescentou.

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As companhias aéreas estão enfrentando uma pressão crescente para lidar com um rápido aumento nas emissões de gases de efeito estufa causados pela indústria, que contribui para o aquecimento global e desastres climáticos. O hidrogênio combustível é visto como a solução mais viável para descarbonizar o transporte aéreo, com potencial para reduzir as emissões de carbono da aviação em até 50%, de acordo com a Airbus (EADSF), que também está explorando esse potencial.

A ZeroAvia completou o primeiro voo de uma aeronave comercial movido a hidrogênio em setembro, quando um avião de seis lugares decolou de suas instalações de pesquisa e desenvolvimento em Cranfield, Inglaterra, e voou por cerca de 15 minutos. 

A startup quer ir muito além. Na quarta-feira (16), informou que se prepara para testar o uso de hidrogênio num voo de 400 quilômetros (mais ou menos a distância de Londres a Paris) nos próximos três meses.

A empresa planeja comercializar sua tecnologia já em 2023 com voos de até 800 quilômetros em aeronaves de até 20 assentos, que são normalmente utilizadas na aviação regional e no transporte de carga. Nos próximos 10 anos, pretende realizar voos de mais de 1.600 quilômetros em aeronaves com mais de 100 assentos.

Miftakhov revelou ainda que mais de dez companhias aéreas estão se preparando para implementar a tecnologia da empresa em 2023.

“O powertrain de emissão zero da ZeroAvia tem potencial real para ajudar a descarbonizar o setor de aviação. Esperamos que esse investimento acelere o ritmo de inovação para permitir a emissão zero no transporte aéreo”, afirmou a vice-presidente da Amazon para sustentabilidade mundial, Kara Hurst.

O investimento da Amazon foi feito por meio do Climate Pledge Fund, criado em 2019 para ajudar empresas a zerar as emissões líquidas de carbono até 2040, 10 anos antes do que prevê o acordo climático de Paris. Em sintonia com esses objetivos climáticos, a Amazon começará a usar vans elétricas para fazer entregas no próximo ano.

O investimento da Shell foi feito por meio da Shell Ventures, que investe em empresas de energia renovável.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

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