Por que a Adidas quer vender a Reebok após 15 anos?

A Adidas comprou a Reebok por US$ 3,8 bilhões em 2005 em uma tentativa de expandir sua competição com a Nike no mercado dos EUA. Parece que não deu certo

Hanna Ziady, do CNN Business, em Londres
20 de dezembro de 2020 às 05:00
Foto: Kilian Seiler/Unsplash

A Adidas confirmou que pode vender a marca de roupa esportiva norte-americana Reebok como parte da revisão do plano estratégico que a companhia revelará em 2021.

A empresa alemã disse em uma declaração na segunda-feira (14) que está avaliando “alternativas estratégicas” para a Reebok enquanto desenvolve um novo plano de cinco anos.

Isso inclui “uma potencial venda da Reebok, bem como a permanência da Reebok como parte da empresa”, acrescentou o comunicado. A decisão será anunciada em 10 de março.

A Adidas comprou a Reebok por US$ 3,8 bilhões em 2005 em uma tentativa de expandir sua competição com a Nike no mercado dos Estados Unidos. Na época, a Reebok tinha negócios de vestuário com a National Basketball Association (NBA) e a National Football League (NFL).

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Mas a marca teve “desempenho inferior crônico”, caindo de uma estimativa de baixa participação de dois dígitos nos calçados esportivos dos EUA no início dos anos 2000 para cerca de 1% hoje, segundo disseram analistas da Baird Equity Research em nota na segunda-feira.

Fechamento de lojas, redução de custos e acordos de endosso com celebridades como Ariana Grande e Cardi B ajudaram a Reebok a ter lucro em 2018 e impulsionar o crescimento de vendas de dois dígitos na América do Norte no ano passado.

No entanto, a pandemia de coronavírus obrigou o fechamento da maioria das lojas globais da Adidas e da Reebok em 2020.

A Reebok também não conseguiu capitalizar com o aumento na demanda para roupas esportivas durante a pandemia, apesar de uma forte presença online, perdendo para rivais como Lululemon e Athleta, da Gap.

As vendas caíram 20% durante os primeiros nove meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2019, em linha com a queda da Adidas. 

Depois de perder seus negócios com a NBA e NFL, a Reebok se concentrou em roupas de fitness e cross training. Isso fez com que ela perdesse um boom global no mercado de roupas esportivas mais amplo, que cresceu em um ritmo mais rápido do que a indústria geral de roupas e calçados, de acordo com a Euromonitor.

A Reebok agora responde por apenas 7% das vendas da Adidas, ante 20% em 2006. A Adidas continua menor do que a Nike globalmente, mas registrou um aumento maior nas vendas na América do Norte do que sua rival em 2019, isso já levando em consideração a Reebok.

Os analistas dizem que os potenciais compradores da Reebok podem incluir a VF Corp (VFC), a empresa-mãe da Vans, e The North Face, que comprou recentemente a marca streetwear Supreme por US$ 2,1 bilhões.

O Authentic Brands Group e a China’s Anta Sports também são especulados como pretendentes. O ABG detém os direitos dos empreendimentos comerciais do astro do basquete Shaquille O'Neal, que em 2019 teria dito que adoraria ser coproprietário da Reebok.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).