Ibovespa atinge recorde histórico de fechamento, aos 122 mil pontos; dólar sobe

Moeda americana teve a maior valorização percentual diária desde 23 de setembro (+2,18%) e o maior patamar de encerramento desde 23 de novembro (R$ 5,4353)

Matheus Prado e Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo
07 de janeiro de 2021 às 09:16 | Atualizado 07 de janeiro de 2021 às 20:01

 

O otimismo tomou conta dos mercados nesta quinta-feira após o Congresso norte-americano certificar a vitória de Joe Biden na eleição para a presidência dos Estados Unidos. Com isso, o Ibovespa ganhou fôlego para fechar o pregão em patamar recorde, aos 122.385,92 pontos – alta de 2,77%

Já o dólar à vista saltou 1,82%, a R$ 5,3999 na venda, perto da máxima da sessão. É a maior valorização percentual diária desde 23 de setembro (+2,18%) e o maior patamar de encerramento desde 23 de novembro (R$ 5,4353).

As ações de empresas ligadas a commodities foram o grande destaque do pregão, movimento que acontece desde o início da semana. A maior alta do Ibovespa foi da Suzano (SUZB3), que disparou 8,64%. 

Ainda na ponta positiva, a Klabin (KLBN4) teve valorização de 7,61%, enquanto as ações da Bradespar (BRAP4) subiram 8,28%. 

No lado de baixo, as ações da Vivo (VIVT3) e da TIM (TIMS3) recuaram 2,44% e 1,6%, respectivamente. O mercado ainda vem penalizando as ações ligadas ao consumo – Via Varejo (VVAR3) caiu 2,77%, Magazine Luiza (MGLU3) perdeu 1,19%, B2W (BTOW3) recuou 1,61% e Lojas Americanas (LAME4) perdeu 1,36%. 

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O controle dos democratas da Casa Branca, Câmara e Senado aquece a expectativa por pacotes de estímulos volumosos para fortalecer a economia dos EUA. 

"Vale destacar que hoje tivemos também a recuperação dos bancos, pois mais estímulos monetários estimulam à procura pela renda variável e por aqui a porta de entrada dos investidores, em especial estrangeiros, são os bancos em vista da liquidez e correlação com o Ibovespa", afirma Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

No setor financeiro, os papéis do Banco do Brasil (BBAS3) subiram 4,13%, Itaú (ITUB4) ganhou 4,06%, BTG Pactual (BPAC11) valorizou-se 3,98%, Santander (SANB11) subiu 3,85% e Bradesco (BBDC4) avançou 2,84%; 

A quarta-feira foi marcada por uma invasão do Capitólio americano por apoiadores de Donald Trump, que ainda não aceitaram sua derrota nas urnas, o que gera um movimento de aversão a riscos nos mercados.

Investidores também estão de olho na consolidação de uma maioria democrata no Senado dos Estados Unidos e no caminhar da campanha de imunização da população no Brasil.

Lá fora

Os mercados acionários em Wall Street alcançaram níveis recordes nesta quinta-feira, com investidores apostando que um Congresso controlado pelos democratas vai aprovar mais pacotes de estímulos para ajudar a economia dos Estados Unidos a superar uma forte queda causada pela pandemia.

O Dow Jones subiu 0,69%, aos 31.041 pontos, o S&P 500 valorizou-se 1,48%, aos 3.803 pontos, e o Nasdaq teve alta de 2,56%, aos 13.067 pontos.

O Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq estabeleceram novas máximas em meio a crescentes demandas para a remoção do presidente Donald Trump do cargo, um dia depois que seus apoiadores invadiram o prédio do Capitólio, em um terrível ataque à democracia norte-americana.

As bolsas da Ásia encerraram a sessão desta quinta-feira (7) sem direção única, com a conquista do controle do Senado americano pelos democratas em foco. Ações de bancos e construtoras, por um lado, foram impulsionadas pela percepção de que, por ter formado maioria no Congresso, o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, conseguirá aprovar estímulos à economia.

A bolsa de Tóquio chegou a bater recorde intraday em 30 anos. Por outro lado, papéis de techs foram penalizados, com a agenda favorável a regulações e alta de impostos sobre as techs no radar e o peso do novo recuo da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), que agora decidiu, mais uma vez, retirar de sua listagem empresas do setor tecnológico da China por suposta ligação com o exército de Pequim.

Até o fim dos negócios, Biden ainda não havia sido certificado pelo Congresso americano. O democrata foi certificado no início da manhã desta quinta, pelo horário brasileiro.

Com a iminência de mais ajuda do governo americano à economia golpeada pelo coronavírus, o índice Nikkei, do mercado da capital japonesa, encerrou o dia em alta de 1,60%, a 27.490,13, pontos, após bater 27.624,73, nível inédito desde agosto de 1990.

A companhia industrial Hitachi Zosen Corp saltou 13,68% e Shinsei Bank, 5,26%. A tendência foi seguida pelo índice Kospi, da bolsa de Seul, que avançou 2,14%, para 3.031,68 pontos.

Na China continental, o índice de Xangai encerrou a sessão em alta de 0,71%, aos 3.576,20 pontos, e o de Shenzhen, de 1,11%, a 15.356,40 pontos. Já na Bolsa de Sidney, o índice S&P/ASX se fortaleceu 1,59%, a 6.712,00 pontos.

Mas o lado "regulatório" do programa de governo de Biden, tal como aconteceu com companhias negociadas em Wall Street, pressionou os papéis de techs asiáticas, especialmente pressionadas pelo "expurgo" da NYSE. Em Hong Kong, o índice Hang Seng perdeu 0,52%, para 27.548,52 pontos.

As companhias que foram novamente retiradas da listagem da bolsa de Nova York despencaram: China Mobile fechou o dia com tombo de 7,18%; China Unicom, de 11,35%; e China Telecom, de 9,38%.