Comércio do Rio pode perder mais de 4,6 bilhões com feriados este ano

O período de carnaval não foi considerado, já que a data foi adiada por conta da pandemia da Covid-19

Mylena Guedes, da CNN, no Rio*
07 de janeiro de 2021 às 21:18
Pessoas circulam de máscara por rua de comércio popular no centro do RJ
Pessoas circulam de máscara por rua de comércio popular no centro do Rio de Janeiro durante pandemia da Covid-19
Foto: Lucas Landau/Reuters (29.jun.2020)

O ano de 2021 terá 13 feriados comerciais na cidade do Rio de Janeiro, sendo 12 deles em dias úteis com possibilidade de prolongamento, pois emendam com o fim de semana. Dessa forma, serão apenas 353 dias úteis para o comércio varejista da capital, que pode perder mais de 4,6 bilhões de reais no ano com os feriados, de acordo com o Clube de Diretores Lojistas- CDLRio.

O período de carnaval não foi considerado, já que a data foi adiada por conta da pandemia. A estimativa é que cada dia parado representa uma perda média de aproximadamente 385 milhões de reais. 

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O mês de novembro será o mais prejudicial para os lojistas, com três feriados na cidade. Um deles, o Dia da Consciência Negra, será no sábado, considerado pelos comerciantes o melhor dia de vendas da semana.  O presidente do CDLRio, Aldo Gonçalves, afirma que não são apenas os empresários lojistas que perdem com a situação, uma vez que o governo deixa de arrecadar impostos, os prestadores de serviços e autônomos não conseguem trabalhar, e o próprio consumidor não pode comprar. Segundo Gonçalves, os comerciantes podem perder até um salário no ano com o excesso de feriados. 

As lojas do município já registram saldo de vendas negativo por causa da Covid-19. Segundo o sindicato, 30% das lojas foram fechadas nos últimos meses no centro do Rio, onde as ruas estão abandonadas. Os lojistas alegam que, além da pandemia e do desemprego, outros fatores afastaram o consumidor da região, como a violência, o grande número de camelôs, o aumento de moradores de rua e a sujeira.

Questionada, a prefeitura afirmou que a revitalização da área central da cidade é um tema prioritário da gestão atual, contudo, para a retomada plena da atividade econômica na região, é essencial a vacinação em massa da população.

Em nota, foi destacado que um Grupo de Trabalho focado no centro do Rio foi criado e terá o prazo de 120 dias para entregar um Plano de Requalificação do Centro da cidade, para cuidar, manter e melhorar o espaço público.

Os estabelecimentos ficaram fechados por 3 meses durante o ano passado, da segunda semana de março até a primeira semana de junho. Durante os nove meses em que estiveram abertos, o ramo de bens não duráveis, que inclui lojas de roupas e sapatos, vendeu quase 7% (6,9%) a menos que em 2019. Já no ramo de bens duráveis, que inclui móveis e eletrodomésticos, a queda foi de 9,2%.

A situação é ainda mais séria quando os três meses de fechamentos são incluídos: cerca de 31,9% de queda no ramo de bens não duráveis e 30,2% de saldo negativo no ramo de bens duráveis. 

*Estagiária supervisionada por Isabelle Resende