Críticos perderam US$ 40 bi com Tesla em 2020, mas Musk ganhou mais que o triplo

Há muito tempo a Tesla é a aposta favorita dos investidores a descoberto (que apostam da depreciação), que controlavam cerca de 19% das ações no início de 2020

Chris Isidore, CNN Business, em Nova York
09 de janeiro de 2021 às 05:00
Elon Musk
Foto: REUTERS/Hannibal Hanschke/Pool

É difícil imaginar alguém que teve um ano melhor do que Elon Musk em 2020.

Seu patrimônio líquido pessoal decolou como um de seus foguetes da SpaceX, aumentando em mais de US$ 100 bilhões. Os críticos mais ferozes de Musk, os “short sellers”, investidores que venderam ações da Tesla (TSLA) a descoberto, ou seja, esperando que o preço das ações caísse, perderam um recorde de US$ 40,1 bilhões apostando contra ele, de acordo com análise da S3 Partners.

Esses críticos, com quem Musk travou uma dura e pública guerra de palavras ao longo dos últimos anos, teriam um retorno saudável se o valor das ações da Tesla caísse, mas corriam o risco de ter grandes perdas se as ações continuassem a subir. As ações subiram, subiram e muito, aumentando em 743% no decorrer de 2020.

Leia também:
Blue wave: quais setores podem sofrer na bolsa com o governo democrata nos EUA
Tesla está fazendo algo que muitos duvidavam: entregando carros aos clientes
Com salto de 31%, fortuna dos mais ricos tem avanço histórico em ano de pandemia

Os US$ 40,1 bilhões em perdas dos "short sellers" de ações da Tesla foram diferentes das perdas sofridas pelos investidores de outras empresas operando de forma semelhante, seja no ano passado ou em ocasiões anterior, como comentou Ihor Dusaniwsky, diretor executivo da S3 Partners e um especialista no assunto.

Na verdade, as perdas sofridas pelas vendas a descoberto da Tesla foram maiores do que as perdas (somadas) das nove maiores empresas seguintes. Em 2020, as perdas da segunda no ranking, a Apple (AAPL), chegaram a US$ 6,7 bilhões, o que é pouco mais do que as perdas da Tesla com "shorts" somente no mês de dezembro. A Amazon (AMZN) teve perdas de US$ 5,8 bilhões com vendas a descoberto, de acordo com a S3.

Há muito tempo a Tesla é a aposta favorita dos investidores a descoberto, que controlavam cerca de 19% das ações no início de 2020. Muitos acreditam que a empresa é uma líder em energia limpa que muda paradigmas e tem potencial ilimitado, mas outros investidores afirmam que ela é um player em um nicho excessivamente superestimado, que logo será dominado por montadoras maiores e mais estabelecidas.

Muitos dos vendedores a descoberto foram obrigados a admitir a derrota no ano passado. Cerca de dois terços dos "shorts" foram revertidos durante 2020, o que por si só foi um fator que ajudou a elevar as ações da Tesla, já que os investidores foram forçados a comprar ações com preços mais altos para sair de suas posições.

"Foi um vento a favor que empurrou os preços da Tesla durante todo o ano", disse Dusaniwsky.

Mas o ano terminou com "short sellers" ainda detendo cerca de 5,5% das ações da Tesla, o que equivale a uma aposta de US$ 31 bilhões contra as perspectivas futuras da empresa. Para efeito de comparação, atualmente há US$ 13,3 bilhões e US$ 10,2 bilhões em apostas contra a Apple e a Amazon, respectivamente, com os "shorts" controlando menos de 1% das ações de cada uma dessas empresas.

Um ano muito lucrativo para Musk

Elon Musk tem travado batalhas regulares com os vendedores a descoberto, atacando-os no Twitter e em comentários públicos. Mesmo assim, além da alegria de Musk com as perdas deles no ano passado, o sofrimento coletivo dos investidores não se compara aos ganhos pessoais dele.

A participação de Musk (que consiste em 170 milhões de ações) teve uma impressionante valorização de US$ 106 bilhões em 2020, e isso é apenas uma parte dos ganhos que ele obteve com o desempenho de Tesla. Ele começou o ano com opções de compra de outros 22,9 milhões de ações, que foram ajustadas pelo desdobramento de cinco por um da empresa. Essas opções tiveram um aumento de valor de US$ 14,2 bilhões. Ao longo de 2020, Musk também se qualificou para opções de compra de 33,8 milhões de ações adicionais, que são parte de seu pacote de remuneração em planos de opções de compra de ações, que ele recebe quando a empresa atinge certos valores de mercado e metas operacionais. Ele se qualificou para quatro tranches de opções separadas em 2020, que encerraram o ano com o valor de US$ 21,5 bilhões, após o preço de exercício ser levado em consideração.

Além disso, ele está pronto para se qualificar para obter outras duas tranches de opções para comprar um adicional de 16,9 milhões de ações no início deste ano, dado o recente desempenho financeiro e de mercado da empresa. Essas opções adicionais valeriam US$ 10,7 bilhões, com base no preço das ações no final do ano.

Ao todo, Musk deve em breve controlar opções suficientes para comprar outros 73,5 milhões de ações da Tesla a um preço médio de cerca de US$ 50 cada. Atualmente, as ações estão sendo negociadas acima de US$ 700.

Musk ainda não exerceu nenhuma das opções que detém até agora, o que não é incomum. Executivos com opções de ações raramente as exercem até que estejam prontos para vender as ações ou até que as opções estejam prestes a expirar.

Tudo isso fez de Musk o segundo homem mais rico do mundo, com um patrimônio líquido estimado pela Forbes em US$ 162 bilhões, atrás apenas do CEO da Amazon, Jeff Bezos, cujo patrimônio líquido é de US$ 187 bilhões. As atuais participações de Bezos na Amazon valorizaram "apenas" US$ 75 bilhões ao longo de 2020.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).