Fogo de Chão chegou a perder 90% das vendas em 2020, mas vê 2021 diferente


Juliana Faddul, colaboração para o CNN Brasil Business, em São Paulo
13 de janeiro de 2021 às 05:00 | Atualizado 13 de janeiro de 2021 às 14:39
Fogo de Chão
Restaurante da rede Fogo de Chão: empresa demitiu 400 pessoas só no Brasil 
Foto: Divulgação

Desde a década de 60, a churrascaria Fogo de Chão crescia cada vez mais. Afinal não é do dia para noite que se constrói 44 endereços nos Estados Unidos, seis no Brasil, quatro no México e dois no Oriente Médio. Mas bastou um vírus invisível para balançar tudo dentro da empresa. 

Claro que o estabelecimento não foi o único, vide que 7% de bares e restaurantes tiveram que fechar as portas durante a pandemia e 92% tiveram redução no faturamento, segundo levantamento feito pelo Sebrae em parceria com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). 

Nos dias mais críticos de 2020, a churrascaria Fogo de Chão, que é conhecida pelo seu sistema de rodízio de carnes (criado no Brasil e muito apreciado nos Estados Unidos), chegou a operar com uma receita de equivalente a 10% do seu faturamento no ano anterior. 

Ainda que porcentagem seja bastante baixa para o que estavam acostumados, a sobrevivência só foi possível graças a uma ideia que estava na mesa da direção há algum tempo, mas teve de ser acelerada no ano passado: apostar e incrementar o serviço de delivery. 

Nos Estados Unidos, por exemplo, foram criados menus para a viagem em apenas três dias. Por lá, teve uma época em que fazer refeições em lugares fechados era proibido. A solução: alugar tendas para os restaurantes. Nisso, foram gastos mais de US$ 1 milhão.

Já no Brasil, aplicativos como o iFood foram a saída encontrada. Mesmo assim, o faturamento com as reaberturas e essas novas investidas foram suficientes apenas para aumentar a receita para a metade do apresentado em 2019.

Com isso, a empresa partiu para demissões. E não foram poucas. Em maio, o restaurante dispensou cerca de 400 funcionários por causa da pandemia. O Ministério Público do Trabalho (MPT) chegou a pedir para que os desligamentos fossem anulados, mas a Justiça do Trabalho do Distrito Federal negou o pedido. 

A Fogo de Chão, apesar de ter nascido no Brasil, se tornou uma empresa americana. Em 2012, a empresa foi comprada pelo fundo americano THL por US$ 400 milhões. Depois, em 2015, abriu capital na bolsa de Nova York. Três anos mais tarde, a companhia foi vendida novamente, mas desta vez para o fundo Rhône Capital.  

O CNN Business falou com Paulo Antunes, diretor de operações da Fogo de Chão, sobre o período. Veja a entrevista:

A pandemia prejudicou muitos setores, principalmente o alimentício. Quais foram as alternativas usadas por vocês para driblar esta crise?

Para não interrompermos por total as atividades, readequamos a nossa equipe de trabalho e antecipamos o lançamento do nosso serviço de delivery em parceria com o iFood. Válido em todas as unidades, o delivery era um projeto que já estava em fase de planejamento mesmo antes da pandemia e é um canal que veio para ficar pois hoje, mesmo com os salões abertos, ele tem um papel importante em nosso negócio. Entendemos o delivery como uma ocasião diferente de compra que complementa as vendas do salão.

Além disso, aderimos às campanhas sociais com doação de verba ao Fundo Emergencial para Saúde que beneficiou instituições como Fiocruz, Santa Casa de São Paulo, Comunitas e Hospital São Paulo.

Quais os protocolos a casa está utilizando para a reabertura?

Reabrimos as unidades seguindo um protocolo de 12 promessas de segurança, incluindo medidas reforçadas de higienização e readequação do modo de servir e receber os clientes, com o reforço da hospitalidade com chefs gaúchos especialmente treinados para atendê-los neste momento único. 

Nosso objetivo primordial é continuar a prestar o serviço de excelência que é característica principal do Fogo de Chão e, por isso, vamos adaptar nosso atendimento para esta nova realidade e fazer as aberturas gradualmente com toda a atenção e segurança possível.

Quais foram os impactos financeiros para a empresa nesse período? 

Nos meses que antecederam o lockdown, ou seja, em janeiro e fevereiro, operamos com um volume de receita 10% superior ao mesmo período de 2019. 
Com o decreto do fechamento e com atendimento apenas por delivery, iniciado em Abril, operamos com receitas próximas a 10% em relação às que tivemos no ano anterior, uma redução drástica. Quando os salões foram reabertos, ainda com algumas restrições no meio de 2020, conseguimos aumentar a receita para 50% em relação a 2019.

Quais as principais metas para 2021?

Acreditamos que, quando houver imunização e não tivermos mais as restrições que hoje temos, vamos conseguir voltar a operar com um número de 5 a 10% acima de 2019. Enquanto isso não ocorre, a expectativa é seguir com o patamar de 50% a menos que o mesmo período de 2019. 

No entanto, os planos para este ano são otimistas. Planejamos, com a retomada do mercado, expandir a rede e retomar a renovação das unidades existentes, plano que estava em curso antes da pandemia. Já estamos procurando também novos locais para inaugurações em São Paulo e no Rio.