Marca de queijo australiana octogenária muda de nome por acusação de racismo

O “Coon Cheese” (queijo Coon), vendido há mais de 80 anos, agora será conhecido como “Cheer Cheese"; por lá, a palavra é uma ofensa a não brancos

Michelle Toh, do CNN Business, em Hong Kong
15 de janeiro de 2021 às 05:00 | Atualizado 15 de janeiro de 2021 às 08:33
Cheer Cheese
Foto: Sapuko/Divulgação

Uma empresa australiana de alimentos renomeou oficialmente uma famosa marca de petiscos após anos de reclamações por trazer uma ofensa racial em seu nome.

O “Coon Cheese” (queijo Coon), que é vendido na Austrália há mais de 80 anos, agora será conhecido como “Cheer Cheese", segundo informou seu fabricante na quarta-feira (13). A nova marca será lançada nos supermercados australianos em julho.

 A proprietária da marca, a empresa Saputo Dairy Australia, se autointitula a maior processadora de laticínios do país. Ela tomou a decisão de mudar a marca de sua linha de queijos no verão passado, juntando-se outras grandes empresas alimentícias que foram forçados a revisitar os títulos de alguns de seus produtos mais conhecidos.

Para a Saputo, o queijo “Coon” foi alvo de críticas durante décadas. A empresa insistiu que a marca homenageava seu fundador, Edward William Coon. Mas a palavra também é um insulto racial profundamente ofensivo dirigido às pessoas não brancas. 

A mudança veio após mais de duas décadas de campanha do ativista indígena Stephen Hagan, segundo a afiliada da CNN 9News. A Saputo classificou a decisão como uma tentativa de “eliminar o racismo” de sua marca.

O novo nome visa alinhar “com as atitudes e perspectivas atuais”, disse a empresa em uma declaração.

“O Cheer Cheese é um queijo para todos e nós confiamos em nossos valiosos consumidores e aqueles que são novos em nossos produtos adotarão este novo nome”, afirmou Cam Bruce, o diretor comercial da empresa, no comunicado.

Várias grandes marcas, como Aunt Jemima, da Aveia Quaker, e o arroz Uncle Ben’s, de propriedade da Mars, também anunciaram no ano passado que mudariam ou retirariam as marcas considerada racialmente ofensivas.

Na Austrália, a Nestlé (NSRGF) mudou a marca de seus doces Red Skins e Chicos, dizendo que seus nomes estavam em desacordo com os valores da empresa. Os doces são agora vendidos sob os nomes "Red Ripper" e "Cheekies".

— Amy Woodyatt, da CNN, contribuiu para esta reportagem.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).