WhatsApp adia início de novos termos de privacidade; Procon notifica plataforma

O posicionamento da empresa vem depois de uma repercussão negativa das novas regras entre os usuários

Wesley Santana, colaboração para o CNN Brasil Business
15 de janeiro de 2021 às 19:39
Pagamentos por link e QR Code podem ser enviados pelo WhatsApp
Pagamentos por link e QR Code podem ser enviados pelo WhatsApp
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil


 

Depois de ver uma fuga de usuários e ser superado pelos concorrentes em número de downloads, o WhatsApp decidiu adiar o início da nova política de privacidade, prevista para 8 de fevereiro.

Nesta sexta-feira (15), o mensageiro emitiu um comunicado anunciando a decisão e postergando a estreia dos novos termos para 15 de maio. O posicionamento da empresa vem depois de uma repercussão negativa das novas regras entre os usuários.

 

Segundo notificações enviadas, dados sensíveis seriam compartilhados com o Facebook, sob condição de exclusão do aplicativo. “Decidimos prolongar o prazo no qual as pessoas deverão revisar e aceitar os termos atualizados. Ninguém terá a conta suspensa ou apagada em 8 de fevereiro de 2021. Também faremos um trabalho intenso para esclarecer todas as informações incorretas sobre como a privacidade e a segurança funcionam no WhatsApp”, afirmou a empresa.

Na nova política, o WhatsApp diz que informações  — como número de telefone, foto de perfil e aparelho usado na navegação — seriam usadas para melhorar a experiência de perfis comerciais do aplicativo e na ofertas de novos produtos aos clientes do Facebook, que é do mesmo grupo empresarial.

A empresa alega que as cláusulas permitem que novas opções de conversas com empresas sejam incorporadas, além de ser mais transparente com o uso das informações.

Procon-SP pede explicações

Também nesta sexta (15), o Procon-SP notificou o WhatsApp e cobrou explicações sobre as novas regras. Com prazo máximo de resposta de 72 horas, a instituição pede que o mensageiro esclareça o enquadramento dos novos termos às leis brasileiras.

No documento, o órgão cita a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e o Código de Defesa do Consumidor, que protegem os brasileiros e dizem que a decisão sobre o uso e o compartilhamento dos dados é um direito pessoal básico.

“O Procon-SP pede que a plataforma informe qual a base legal que fundamenta o compartilhamento dos dados pessoais e que, caso seja do consentimento, deverá haver uma manifestação livre do usuário sem vício de coação dada a sua vulnerabilidade na relação estabelecida”, diz a instituição.