Consumo de eletricidade no país cai 1,5% em 2020, diz CCEE

Impacto foi diferente nos dois mercados que separam clientes das distribuidoras dos que negociam energia no ambiente livre

Por Wagner Freire, do Estadão Conteúdo
19 de janeiro de 2021 às 19:30 | Atualizado 19 de janeiro de 2021 às 19:58
Poste de distribuição de eletricidade
Poste de distribuição de eletricidade
Foto: Analogicus/Pixabay

O consumo nacional de energia elétrica recuou 1,5% em 2020 na comparação com o ano de 2019, reflexo do impacto negativo da pandemia de covid-19 na dinâmica do setor, informou nesta terça-feira, (19), a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

O resultado, porém, é visto como melhor do que o inicialmente previsto, destacou o presidente da entidade, Rui Altieri, em nota à imprensa.

"Nos últimos quatro a cinco meses, houve uma rápida recuperação, principalmente nos setores de grande consumo. Ainda assim, abril, maio e o início de junho foram muito ruins em termos de consumo nos setores de produção, bens e serviços. Nessa época acreditávamos que ficaríamos de 5% a 6% abaixo de 2019. Dadas as circunstâncias, uma redução de 1,5% é um dado animador. "

Declarou o presidente da entidade, Rui Altieri em nota à impresa.

O impacto foi diferente nos dois mercados que separam clientes das distribuidoras dos que negociam energia no ambiente livre.

Neste último, que representa 32% do consumo do Brasil, houve crescimento de 2,8%, reflexo do acréscimo de novas cargas no mercado livre. De acordo com a CCEE, no ano passado, 5.239 unidades consumidoras migraram do cativo para o livre. O mercado cativo encolheu 3,4% na comparação anual.

A leitura por região, a CCEE aponta os Estados da Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro como os mais impactados pelo recuo do consumo de energia no ano passado. Os três registraram quedas próximas de 5% na comparação com 2019. Já o Pará, Mato Grosso e Amazonas lideram a lista de maiores altas, com crescimento de 6%, 5% e 3%, respectivamente.

Quando se observa o resultado do consumo por ramos de atividade das empresas participantes do mercado livre, a CCEE verificou uma queda muito acentuada nos segmentos de veículos, que apresentou retração de 11,6%, e transportes, com uma redução de 6,3%.

Na outra ponta do ranking, o setor de saneamento cresceu 24% no período, e comércio avançou 12,1%. Os dados consideram todas as cargas, inclusive as migradas ao mercado livre em 2020.

Geração

A CCEE informou, ainda, que o comportamento da geração foi similar ao do consumo em 2020: houve uma redução de 1,6% no Sistema Interligado Nacional (SIN), passando de uma produção de 64.637 MW médios em 2019 para 63.596 MW médios em 2020.

Ao avaliar a produção das fontes de geração, a CCEE observou redução na comparação entre 2020 e 2019 por parte das térmicas (-7,1%) e das hidrelétricas (- 0,9%), impactadas pela redução do consumo. Por outro lado, observou-se um aumento da geração eólica (1,5%) e solar fotovoltaica (19,3%).

"O resultado de ambas se explica por questões climáticas e pela ampliação nos parques produtores", finalizou o comunicado da CCEE.