Bolsa fecha em queda em dia ruim para minério de ferro; dólar sobe a R$ 5,34

Janet Yellen, escolhida para a secretaria do Tesouro, falou no Senado e deixou claro que espera iniciar rapidamente uma revisão da política de sanções do país

Manuela Tecchio e Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo
19 de janeiro de 2021 às 09:06 | Atualizado 19 de janeiro de 2021 às 18:22
bolsa ásia
Foto: Kim Kyung-Hoon/Reuters

O dólar fechou em alta frente ao real na sessão desta terça-feira (19). A moeda norte-americana subiu 0,78%, a R$ 5,3461 na venda. A divisa abriu o dia em queda e chegou a ser negociada a R$ 5,24.

Já o Ibovespa abriu o dia em alta, mas perdeu fôlego com ações de mineração e siderurgia caindo e opera em queda. O principal índice da bolsa de valores brasileira caiu 0,5% para 120.636 pontos.

CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Gerdau (GOAU4, GGBR4) terminaram o dia entre as piores, com recuos entre 2,9% e 5,7%. A Vale (VALE3) recuou 0,27%. 

Os mercados ficaram de olho no discurso da indicada a assumir o Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen. Ela afirmou nesta terça-feira a parlamentares que espera iniciar rapidamente uma revisão da política norte-americana de sanções caso ela e o vice-secretário do Tesouro sejam confirmados em seus cargos.

Aos membros do Comitê de Finanças do Senado, Yellen afirmou que estará focada em garantir que as sanções sejam utilizadas "de forma estratégica e apropriada".

A democrata também defendeu o aumento dos salários mínimos para US$ 15 por hora, proposto no pacote de recuperação da crise do próximo governo americano. Segundo Yellen, o aumento não só ajudará os trabalhadores do país, como não deve ter grande impacto sobre o emprego nos EUA.

Enquanto isso, as preocupações com novos lockdowns, que podem desacelerar a recuperação econômica global, ficam em segundo plano com os mercados aguardando possíveis notícias positivas na temporada de balanços corporativos.

No Brasil, uma série de problemas de logística atrasaram o plano de iniciar a vacinação contra Covid-19 em todos os estados ao mesmo tempo, uma das promessas que vinham sendo feitas pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, nos últimos dias.

Ao mesmo tempo, o presidente Jair Bolsonaro voltou a duvidar da eficácia da Coronavac, um dia após o governo paulista ter iniciado sua aplicação no país. O presidente afirmou ainda que essa vacina "não é de nenhum governador" e sim "do Brasil", após passar meses criticando o imunizante, que é o único disponível no Brasil até o momento, e ter se refirido ao projeto, em suas redes sociais, como "a vacina chinesa de Doria".

Bolsas internacionais

Os principais índices acionários de Wall Street subiram nesta terça-feira, à medida que Janet Yellen defendeu um forte pacote de auxílio fiscal aos parlamentares para ajudar a maior economia do mundo a enfrentar uma crise causada pela pandemia.

O Dow Jones teve alta de 0,38%, aos 30.930 pontos. O S&P 500 valorizou-se 0,81%, aos 3.798 pontos, e o Nasdaq Composite teve alta de 1,53%, aos 13.197 pontos.

As ações europeias recuaram nesta terça-feira, pressionadas pelas ações de varejistas, de viagens e bancos, já que a possível prorrogação do lockdown em razão do coronavírus na Alemanha levantava preocupações sobre os danos aos balanços corporativos e ao crescimento econômico.

Depois de ganhar quase meio por cento na abertura, o índice pan-europeu STOXX 600 passou a cair à medida que a sessão desenrolava-se e fechou em queda de 0,2%.

O DAX da Alemanha também caiu 0,2%, mesmo com a pesquisa do instituto de pesquisa econômica ZEW mostrando que o sentimento dos investidores na maior economia da Europa melhorou mais do que o esperado em janeiro.

Os mercados acionários da Ásia não tiveram sinal único, mas subiram na maioria nesta terça-feira (19). Na China, a bolsa de Xangai fechou em baixa de 0,83%, em 3.566,38 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, recuou 0,96%, a 2.489,23 pontos.

Já o japonês Nikkei terminou em alta de 1,39%, em 28.633,46 pontos, puxado por ações de montadoras e companhias de semicondutores, bem como pela expectativa de recuperação global, ainda que no próprio Japão o quadro da covid-19 continue a inspirar cuidados. 

(Com Reuters)