Vale sela acordo por fatia da Mitsui em Moatize e mira deixar carvão

O acordo prevê que a Vale comprará por US$ 1 a fatia da Mitsui nos ativos de mina e logística

Luciano Costa, da Reuters
21 de janeiro de 2021 às 10:52
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Foto: Washington Alves / Reuters

A Vale assinou acordo com a Mitsui para aquisição da totalidade da participação da empresa japonesa (15%) na mina de carvão de Moatize, em Moçambique, bem como compra dos 50% de participação e todos os créditos minoritários que a empresa detém no Corredor Logístico de Nacala (CLN).

O acerto permitirá a estruturação da saída da Mitsui dos ativos, disse a Vale em comunicado na noite de quarta-feira (20), ao acrescentar que pretende também desinvestir do negócio de carvão, que tem gerado prejuízos.

O acordo prevê que a Vale comprará por US$ 1 a fatia da Mitsui nos ativos de mina e logística. Após o fechamento da transação, a mineradora brasileira consolidará todos os ativos e passivos da CLN, incluindo o project finance do Corredor de Nacala, que tem cerca de US$ 2,5 bilhões de saldo remanescente, explicou a companhia.

 "Com o acordo para a aquisição das participações da Mitsui e, consequentemente, a simplificação da governança e da gestão dos ativos, a Vale iniciará o processo de desinvestimento da sua participação no negócio de carvão, que será pautado na preservação da continuidade operacional de Moatize e do CLN, com a busca de um terceiro interessado nestes ativos", acrescentou.

A intenção de sair do negócio de carvão "está em linha com o foco da companhia em priorizar seus negócios core e sua agenda ESG (ambiental, social e de governança, na sigla em inglês)", disse a Vale.

A empresa também pretende se tornar neutra em carbono até 2050, reduzindo em 33% suas emissões de escopos 1 e 2 até 2030.

A Vale acrescentou que, com um futuro refinanciamento do project finance do Corredor de Nacala, simplificando sua estrutura, deverá obter economia anual estimada de aproximadamente US$ 25 milhões.

Em paralelo, a Vale anunciou iniciativas que visam reduzir custos e aumentar a produção em Moatize, que poderia alcançar um ritmo de 15 milhões de toneladas por ano no segundo semestre de 2021 e 18 milhões de toneladas por ano em 2022.

A divisão de carvão da Vale registrou lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) negativo de US$ 213 milhões no mais recente resultado trimestral.

Já a Mitsui registrou uma série de perdas por redução ao valor recuperável em seus ativos de carvão em Moçambique, totalizando 46,7 bilhões de ienes (US$ 451 milhões), levando o valor contábil de sua fatia na mina de Moatize a zero. O corredor de transporte de Nacala ainda tem um valor contábil de cerca de US$ 500 milhões, incluindo seus empréstimos.

A Vale também já havia feito uma baixa contábil, em 2019, do valor total dos ativos de carvão.

A Mitsui disse que está revisando uma perda antecipada com a venda. Qualquer impacto financeiro relacionado aos projetos já foi considerado em sua previsão de ganhos de outubro para o ano financeiro atual até 31 de março, disse a empresa.