Onde investir a curto prazo: veja opções de baixo, médio e alto risco

Para investimentos de até 12 meses, o objetivo é conseguir pelo menos a mesma quantidade de recursos que foi depositada

Mariangela Castro, do CNN Brasil Business*
26 de janeiro de 2021 às 05:00
Bolsa de Valores
Foto: Vecteezy

Com os juros baixos, ficou mais difícil encontrar boas opções de investimento a curto prazo. Segundo Michael Viriato, professor de finanças do Insper, existem, sim, bons investimentos para aqueles que precisam resgatar o dinheiro em até 12 meses. 

Ele alerta, porém, que é preciso refletir se o resgate no curto prazo é mesmo uma necessidade. “É perfil do brasileiro querer investir tudo a curto prazo, para ter um rápido retorno, ainda que não tenha nenhuma razão que justifique este tempo", diz. Ou seja: se não precisa do dinheiro em até um ano, dê preferência a investimentos de prazos mais longos, que tendem a remunerar melhor.

Para o curto prazo, o objetivo é conseguir pelo menos a mesma quantidade de recursos que foi depositada, segundo o analista de investimentos da corretora Warren Igor Cavaca. Por isso, esses investimentos tendem a ser sempre mais conservadores --e menos rentáveis. 

Confira abaixo as recomendações para quem precisa resgatar o dinheiro em até 12 meses.

Investimentos a curto prazo de baixo risco

Ao analisar investimentos de baixo risco, o mais importante para o investidor é a certeza de que sua quantia inicial de dinheiro não irá diminuir, ainda que a rentabilidade seja menor que em opções mais arriscadas.

As principais indicações de baixo risco incluem Tesouro Direto e CDBs.

O professor Michael Virato recomenda o Tesouro Selic ou fundos de investimento atrelados à Selic. Em ambos os casos, os ativos acompanham a taxa básica de juros, que atualmente está em 2% ao ano.

"Os fundos Selic são melhores que o Tesouro Direto caso o investidor pretenda aplicar mais de R$ 10 mil. Nesse caso, um Fundo Selic sem taxa pode trazer uma rentabilidade maior que a do Tesouro", afirma Virato.  

Os CDBs, segundo Igor Cavaca, podem apresentar uma rentabilidade um pouco maior e têm seguro pelo Fundo Garantidor de Crédito para até R$ 250 mil.

Investimentos a curto prazo de médio risco

Para investimento a curto prazo, as opções de médio risco também costumam ser conservadoras. Porém, podem apresentar uma rentabilidade um pouco maior do que as descritas anteriormente (e um risco de perda um pouco maior). 

Neste caso, ambos os especialistas concordam que médio risco a curto prazo significa renda fixa de crédito privado, como debêntures de empresas privadas de alta confiança. "Para se proteger, o mais recomendado é procurar empresas com bastante credibilidade e com uma estrutura financeira menos suscetível ao choque", orienta Cavaca. 

Uma debênture de uma empresa como a Vale, exemplo utilizado pelo analista, apresenta bastante segurança, porém paga uma rentabilidade menor do que empresas mais novas e com menos credibilidade. Tudo depende do perfil do investidor e do risco que ele está disposto a correr. 

O acesso a esses ativos também pode ser feito por meio de um fundo de investimento, que inclui títulos de diversas empresas e, por possuir maior diversidade, tende a apresentar mais rentabilidade e menos risco. 

“Os fundos são interessantes a curto prazo pois o investidor pode entrar e sair deles sem ter de esperar a data de vencimento de cada título, que pode estar mais longe do que o tempo interessado para o resgate”, diz Cavaca. 

Ainda sobre fundos de curto prazo, o professor do Insper Michael Viriato recomenda que o investidor busque aqueles com rentabilidade maior que a do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Segundo ele, é possível encontrar boas opções de fundos pré-fixados atrelados à inflação, e com vencimento de cerca de dois anos --prazo relativamente curto. 

Investimentos a curto prazo de alto risco 

Para o investidor que precisa ter a certeza de que poderá resgatar de forma completa o valor investido, Cavaca não recomenda a alocação em nenhum ativo de renda variável. 

Viriato afirma que é, sim, possível investir uma dose na bolsa de valores, porém de forma bastante moderada. “Se o investidor precisa resgatar seu aporte em poucos meses e quer apostar em renda variável, ele deve colocar apenas 5% ou 10% nesses ativos, mas sempre sabendo que há risco de perda e tomando cuidado para não se frustrar”, afirma.  

A principal recomendação do professor é evitar comprar ações de alto risco e tentar ao máximo diversificar o portfólio. “Ao investir apenas 5% de seu aporte em uma carteira de ações bastante diversificada, a possibilidade de perda diminui e é muito mais difícil sofrer com uma crise”, orienta Viriato. 

Outra boa opção, de acordo com ele, é apostar em investimentos internacionais. “A China, por exemplo, está em uma situação muito favorável em relação a outros países, principalmente em relação ao Brasil. A bolsa na China é algo que as pessoas deveriam tentar mais”, diz Viriato. 

Outra recomendação é apostar em fundos, e não em ações isoladas. No caso de investimentos internacionais, os fundos também são uma boa opção. Sejam aqueles criados pelas próprias corretoras (fundos abertos), ou os chamados ETFs, negociados na própria bolsa de valores (fundos fechados). 

“Se o investidor dividir seus aportes da bolsa em diferentes fundos de ações, fundos internacionais abertos e fundos internacionais fechados, a possibilidade de erro é muito menor”, diz Viriato.  

Quando vale a pena sair da poupança? 

Mesmo existindo opções de investimento com rentabilidades mais vantajosas, é comum encontrar pessoas que insistem em manter o dinheiro na poupança, seja por medo de perder dinheiro ou por falta de planejamento. 

Porém, o analista Igor Cavaca afirma que a poupança segue sendo um dos piores locais para investimento –mesmo a curto prazo. “Não é difícil encontrar um fundo ou CDB que pague 100% do CDI, ou um título de Tesouro Direto que pague 100% da Selic. A poupança, para efeito de comparação, só remunera 70% desses valores”, explica. 

Ou seja, mesmo em comparação com os investimentos mais conservadores do mercado, a poupança está rendendo menos, e apresenta o mesmo risco. 

* Sob supervisão de Natalia Flach e Maria Carolina Abe